<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738</id><updated>2012-01-15T21:23:12.252-02:00</updated><category term='Desventuras'/><category term='Incursões Cartunísticas'/><category term='Zeluizíces'/><category term='D.E.S.F.S.V.S.F.'/><category term='Editorial'/><category term='Crônica'/><title type='text'>Pois Zé</title><subtitle type='html'>Aventuras e desventuras literárias de um Zé</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-4894361966846351257</id><published>2011-12-28T15:13:00.000-02:00</published><updated>2011-12-28T15:13:06.717-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Outros tempos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kK8tuAL1STo/TvtNxQw_D4I/AAAAAAAAAoQ/aMzAUOXuikQ/s1600/nostalgia+ano+novo1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-kK8tuAL1STo/TvtNxQw_D4I/AAAAAAAAAoQ/aMzAUOXuikQ/s320/nostalgia+ano+novo1.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O Juca tinha chegado naquela idade mágica da nostalgia, onde várias das memórias que até então pareciam meramente caretas, começaram a ganhar contornos inesperados de saudosismo. A coisa estava tão aflorada, que ele se pegou chorando sozinho no café da manhã ao relembrar por acaso o show de fogos de artifício visto da praça em frente da casa que morou em sua infância, numa noite de ano novo, há muito tempo atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele mesmo dia, contou a lembrança para a esposa, e pediu pra repassar a mensagem para as crianças: na véspera do ano novo, iam viajar para a cidade onde passou a infância. Fazia questão que toda a família estivesse reunida para compartilhar com ele aquele momento ímpar, que tanto marcava sua memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É uma das lembranças mais lindas que eu tenho. Os vizinhos reunidos, sentados na praça, olhando pro céu e vendo o show de fogos, trocando abraços, felicitações... É uma coisa tão bela, tão fraterna, sabem? Algo que a gente não vê mais por aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a ideia não foi bem aceita pela família. Leila, a esposa do Juca, ficou frustradíssima, alegando que já tinha até comprado um biquíni novo, chiquérrimo, achando que passariam o réveillon na praia, e que estava em negociações adiantadas para conseguir hospedar a família no casarão de sua tia rica no litoral. A Manoela, a filha mais velha, disse que “nem morta” ia passar a data longe do Tetéu, o seu namorado extra-oficial, que era repudiado pelos pais e conhecido informalmente como o troglodita do bairro. Já o Fernandinho, o filho mais novo, tinha combinado que participaria de uma partida especial de ano-novo de seu jogo de videogame favorito com os amigos na Internet, e que como a pontuação seria dobrada, “era uma oportunidade única, e ele não a perderia por nada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Juca estava decidido, e mesmo que tenha se exaltado algumas vezes e feito algumas chantagens e ameaças pontuais, o fato é que no dia e hora combinada todos estavam dentro do carro rumo à sua cidade natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Onde já se viu... Passar o réveillon no mato! – Protestou o Fernandinho, visivelmente exaltado, num último resmungo antes de se encolher no banco do carro à espera do fim da viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas mais tarde, todos estavam na cidade do Juca. Ele, empolgadíssimo, reconhecendo cada uma das esquinas e contando dezenas de histórias que brotavam em sua cabeça a cada nova lembrança despertada pelo lugar, enquanto o resto da família resmungava impropérios inaudíveis e manifestava o mínimo de interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aos poucos o próprio Juca começou a perder a empolgação. Mesmo que a memória ainda estivesse intacta, o tempo tinha se encarregado de mudar praticamente tudo. Muita coisa ainda estava lá, mas... Não era a mesma coisa. Parecia meio banalizado, sem o encanto de sua época. Sentia-se parcialmente frustrado, embora apostasse que a apoteótica queima de fogos de ano novo na pracinha fosse suficiente pra saciar aquele espírito nostálgico que o habitava naquele instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos antes da meia-noite, a família toda estava na praça, à espera do “momento mágico do Juca”. A Leila, desconsolada, olhando para o vazio, se imaginando à beira da praia, pulando sete ondinhas; A Manoela trocando mensagens de texto pelo celular com o Tetéu, fazendo juras de amor ao rapaz, e relatando o tédio da viagem com adjetivos pouco lisonjeiros à ideia do pai; O Fernadinho fazendo malabarismos com o seu tablet à procura de algum sinal de wireless para tentar acessar um servidor de jogos na Internet enquanto esperava a hora passar, e poder finalmente voltar pra casa (ou, como ele gostava de chamar, “a civilização”); E o Juca, de sorriso aberto, olhando pro alto, mal conseguindo esperar o reencontro com seu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 0h, o aguardado momento chegou. Os fogos pipocando no céu, e os poucos moradores que ainda mantinham a tradição de se reunir na praça se confraternizando sob os olhares desconfiados dos “forasteiros” trazidos à força pelo Juca, que naquela altura tentava entender o que havia de errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tudo lá. Os fogos, as pessoas, os lugares. Mas definitivamente faltava algo. Um negócio meio intangível, mas que fazia a diferença. Chegou a pensar que era a imagem de sua família insatisfeita que destoava no cenário, tal como um bigode na Monalisa, mas havia um elemento ainda mais alheio a tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluiu que ele não fazia mais parte daquele universo de “fogos de artifício vistos na pracinha”. Pertencia a outro mundo. Aquele era o olhar do Juca criança, do menino que saltitava pelos paralelepípedos da rua, hoje pavimentados, e que via uma poesia juvenil naquela história de ano novo. O Juca versão 2011 era cínico demais pra se identificar com aquela cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebeu, no fim das contas, que a nostalgia nasceu pra ficar mesmo apenas guardada na memória, intacta, à salvo das agruras do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda pensativo, sentado no banco, convocou o Fernandinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ei, vem cá. Essa porra de tablet pega TV?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uhum. Digital!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bota na Globo. Talvez dê tempo de ver o show de fogos em Copacabana...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-4894361966846351257?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/4894361966846351257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=4894361966846351257' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/4894361966846351257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/4894361966846351257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/12/outros-tempos.html' title='Outros tempos'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-kK8tuAL1STo/TvtNxQw_D4I/AAAAAAAAAoQ/aMzAUOXuikQ/s72-c/nostalgia+ano+novo1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-7347748879402302682</id><published>2011-12-01T16:01:00.001-02:00</published><updated>2011-12-01T16:02:49.573-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Estátua</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-JLlCLQD_iiQ/TtfBHgLgB_I/AAAAAAAAAoA/-ZJD5EPHEFs/s1600/estatuablog1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-JLlCLQD_iiQ/TtfBHgLgB_I/AAAAAAAAAoA/-ZJD5EPHEFs/s320/estatuablog1.jpg" width="279" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;-Aquele cara ali. Quem é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ali, ó... A estatua! É de quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nem ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deve ser importante. Na certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Parece o Rui Barbosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sem bigodão? Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ele tinha bigode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro. Eu acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tiradentes era barbudo, também não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olha o nome ali. Deve ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não tem. A placa com o nome devia ser em bronze. Roubaram, na certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas que merda, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas este rosto... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Familiar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ele até me remete a alguém, mas não me lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem, seja lá quem for, deve ter sido importante pro país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Taí. Mais um herói brasileiro inesquecível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que orgulho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-7347748879402302682?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/7347748879402302682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=7347748879402302682' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/7347748879402302682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/7347748879402302682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/12/estatua.html' title='Estátua'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-JLlCLQD_iiQ/TtfBHgLgB_I/AAAAAAAAAoA/-ZJD5EPHEFs/s72-c/estatuablog1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-1426766126435159350</id><published>2011-11-26T21:28:00.001-02:00</published><updated>2011-11-26T21:31:09.260-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Ódio</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-uA-_98tUi5U/TtF2JlH3dvI/AAAAAAAAAn4/wFaly3yDk-8/s1600/odioblog2.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="249" src="http://1.bp.blogspot.com/-uA-_98tUi5U/TtF2JlH3dvI/AAAAAAAAAn4/wFaly3yDk-8/s320/odioblog2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Conheceu-a numa festa. Tinham uma amiga em comum que os apresentou, declarando sem receio que, para ela, “a dupla combinava”. Ele não achou. Não era feia, mas tinha algo nela que tinha lhe despertado uma intolerância ímpar, mesmo sem qualquer motivo aparente. Não era nem antipatia. Odiou-a de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semanas mais tarde, por uma dessas ironias do destino, descobriu que não só trabalhavam na mesma empresa, como dividiriam o mesmo setor. Pior: os cargos eram parecidos, e exigiam colaboração mútua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A convivência diária só fez aflorar ainda mais raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odiava o jeito que ela lhe dizia “bom dia” pela manhã. Odiava a forma como sua voz esganiçada tomava conta de todo o ambiente inundando seus ouvidos. Odiava seus comentários a respeito de qualquer coisa, fosse um assunto ligado ao trabalho ou não. Odiava sua pretensão oculta, seu ego inflado que fazia questão de esconder de todos com falsos sorrisos inocentes. Odiava a maneira paciente com que lhe dava conselhos técnicos sobre a empresa, tratando-o como um ignorante qualquer. Odiava o seu olhar moralista que parecia sempre fazer questão de analisá-lo após cada atitude. Odiava a simpatia complacente e consoladora que manifestava, quase que por ironia, após suas eventuais falhas e deslizes. Odiava suas felicitações efusivas, obviamente falsas, após cada um de seus acertos. Odiava a maneira com que ela agia nas negociações do trabalho, dando sempre a entender que não confiava nele. Mas, principalmente, odiava ouvir dos demais colegas que eles faziam uma grande dupla, e que a empresa vinha conseguindo ótimos resultados graças ao esforço e entrosamento deles... Odiava ter que dividir os seus méritos com aquela mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia (por pura formalidade, deduziu) ela o convidou para um encontro com alguns conhecidos. Sentiu náuseas quando ouviu a proposta. Odiava pensar na hipótese de ter que transformar sua noite de descanso numa tortura semelhante a que tinha todos os dias durante o horário de trabalho. No entanto, odiava ainda mais dar a ela a oportunidade de classificá-lo, mesmo que pelas costas, como “um chato que vivia enclausurado em casa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitou o convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontraram-se num bar ele, ela e uns conhecidos. Odiava ter de escutar seus comentários fúteis. Odiava a forma irônica com que defendia seus argumentos, quase que desmoralizando seus interlocutores após cada observação. Odiava o sorriso entreaberto de satisfação que manifestava após cada colocação bem sucedida, numa clara demonstração de sua falta de modéstia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entediado, tentou puxar assunto com os outros colegas de mesa, mas não conseguiu. Odiava a forma como ela falava alto e monopolizava as atenções. Tentou deixa-la sem argumentos, ousou questiona-la. Foi vencido. Odiava admitir que ela tinha se mostrado mais esperta que ele. Lhe odiava ainda mais por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ter o que fazer, passou a observá-la, tentando encontrar alguma coisa digna de empatia, mesmo apostando com si mesmo que isso era impossível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odiava o seu cabelo. Liso, bicolor e cheio de pontas duplas. Tão opaco quanto os seus olhos negros. Odiava a geometria de seu rosto, que era plano, quase que esquadrinhado numa prancheta. Odiava seu corpo esguio, sem grandes atrativos exceto os seios, cujo tamanho avantajado destoava do resto de seu corpo. Gostava de seios, mas odiava corpos desproporcionais. Odiava a forma com que caminhava, numa marcha semi-ritmada que se fosse de outra pessoa talvez que despertasse risos, mas que no caso dela só lhe gerava ainda mais raiva. Odiava a forma com que usava as mãos de forma expansiva e escandalosa para gesticular enquanto falava. Só não odiou o fato de constatar que não existia nada nela que não lhe irritasse. Odiaria descobrir que estava errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em casa, tentou dormir, mas o sono não vinha. A voz chata da colega de trabalho ecoava em sua cabeça como um arranhar de unhas num quadro negro. Odiava lembrar do dia horrível e humilhante que tinha tido graças a ela. Odiava imaginar que teria que encontrá-la novamente pela manhã...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ódio. Puro e simples ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntou a si mesmo porque ela o incomodava tanto. Sua intolerância transcendia os limites que ele julgava “normais”. Odiava sua personalidade, sua aparência, seus conhecimentos... Sentia-se fraco diante de tanta repulsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refletiu, refletiu e refletiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluiu que nunca tinha tido um sentimento tão forte, mesmo ruim, por ninguém antes. Odiá-la, de certa forma, passou a dar um sentido para sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia ser amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namoraram, casaram-se e tiveram três filhos... Mas ele continuou odiando-a secretamente durante todos aqueles anos. Odiava sua comida, odiava o sexo com ela, odiava acordar ao seu lado todos os dias, odiava ver a forma como ela educava os filhos, odiava ouvir suas histórias, odiava dividir um mesmo teto com ela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, acima de tudo: odiava admitir, mas faziam um belo casal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Texto publicado originalmente em 7 de julho de 2008.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-1426766126435159350?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/1426766126435159350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=1426766126435159350' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1426766126435159350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1426766126435159350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/11/odio.html' title='Ódio'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-uA-_98tUi5U/TtF2JlH3dvI/AAAAAAAAAn4/wFaly3yDk-8/s72-c/odioblog2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-7007623557450805214</id><published>2011-11-12T19:57:00.001-02:00</published><updated>2011-11-12T19:59:55.286-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Temperatura</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-nW_P5FDVRtg/Tr7sLCwM7lI/AAAAAAAAAns/-YT1MQtDomY/s1600/Term%25C3%25B4metro+temperatura1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-nW_P5FDVRtg/Tr7sLCwM7lI/AAAAAAAAAns/-YT1MQtDomY/s320/Term%25C3%25B4metro+temperatura1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Como toda boa discussão, aquela começou durante uma conversa de bar aparentemente inofensiva entre dois amigos. O Beto reclamou do calor. O Manoel disse que “estava gostoso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sem essa, vai. Calor demais é insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu adoro. Por mim, era verão o ano inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vira essa boca pra lá. Se essa onda de calor não passar, eu pego minhas coisas e me mando pra Sibéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deixa de ser exagerado, vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É sério. Não tem nada melhor que o frio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deus do Céu! Que mau gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pensa comigo, vai: aquela manhã de geada em pleno domingo... Você debaixo das cobertas... Tem sensação melhor que essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tem. Praia, 40°C e uma cerveja na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nhé...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Além do mais, não tem época pior pros olhos masculinos. As mulheres saem de casa parecendo astronautas. Para se observar um naco de pele, dá trabalho. É cachecol, luva, sobretudo... Nem uma barriguinha dá pra enxergar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas é no frio eu elas ficam realmente quentes. Experimente levar uma moça num dia frio pra sua casa ou pra um bom restaurante. É só abrir um bom vinho que o universo se encarrega do resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se no inverno elas ficam quentes, no verão elas fervem, amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Há controvérsias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O frio é sedutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quem disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu disse. As melhores mulheres que já tive foram conquistadas com a ajuda do termômetro. No verão, foram poucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Isso é óbvio, né? Você é do tipo que não tira o agasalho pra nada. Como quer seduzir alguém se vive encasacado? Já vi você indo para a praia de ceroulas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Engraçadinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É sério. O frio, de bom, não tem nada. Bota isso na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O frio é aconchegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que a situação começou a degringolar, quando o Manoel, inocentemente, retrucou depois de filosofar um pouco sobre o assunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O calor é aconchegante. O frio não. Quando o dia está frio e você põe uma coberta, é o calor que te faz sentir prazer, não o frio. Além do mais, do ponto de vista da física, o frio não existe. O que existe é a ausência de calor. Ou seja... Tecnicamente, você diz gostar de algo inexistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um breve e constrangedor silêncio perdurou durante alguns minutos. Logo depois o Beto, com uma cara repreensiva, pegou suas coisas e foi embora sem se despedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois, quando o Manoel foi procurar o velho amigo para entender o que tinha feito de errado, ouviu dele que sua atitude tinha sido profundamente indelicada: jamais, sob hipótese alguma, se deve retrucar um amigo numa conversa de bar com um argumento científico e/ou filosófico. Além de desleal, tal gesto demonstraria uma profunda falta de respeito à natureza do debate de botequim, cujo objetivo central é, invariavelmente, não chegar a lugar nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Perdoaram-se, e marcaram de se reencontrar no bar já no dia seguinte para matar as saudades. Mas, dessa vez, sem ciência envolvida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-7007623557450805214?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/7007623557450805214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=7007623557450805214' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/7007623557450805214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/7007623557450805214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/11/temperatura.html' title='Temperatura'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-nW_P5FDVRtg/Tr7sLCwM7lI/AAAAAAAAAns/-YT1MQtDomY/s72-c/Term%25C3%25B4metro+temperatura1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-9013714176037070433</id><published>2011-11-04T17:23:00.004-02:00</published><updated>2011-11-04T17:24:58.719-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zeluizíces'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Editorial'/><title type='text'>Coluna social</title><content type='html'>Senhores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram anos de esforço até este dia chegar. Uma vida inteira de trabalho, trocadilhos, e frases supostamente engraçadas que finalmente foram recompensadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Sim, eu virei personagem de tirinha. \o/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;b&gt;&lt;a href="http://magopool.blogspot.com/2011/11/casamento-silvio-santos-e-assistencia.html" target="_blank"&gt;autora da ideia&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; foi minha amiga/ídala/disc-jockey/esposa Magô, uma das cartunistas mais legais e talentosas que eu conheço (Ela é a única, ok... Mas isso é só um detalhe). Depois de uma noitada de conversa regada a dezenas de trocadilhos e planos de um casamento épico, ela gentilmente me incluiu (palavras dela) como ANTAgonista de uma de suas séries, a TPM.exe. Pensem num sujeito que ficou contente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que a tirinha saiu, e apesar de eu estar bonitinho demais no desenho, o que obviamente trata-se de um equívoco, o fato é que tá beeeeeeeeem legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo sendo um escritor frustrado e um jornalista mendigo, mas não me sinto mais um completo fracasso. Minha vida finalmente ganhou um sentido. Snif...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser ver o conhecer mais do trabalho da “minha criadora” pode acessar o seu &lt;b&gt;&lt;a href="http://magopool.blogspot.com/" target="_blank"&gt;blog&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; ou o seu &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.magopool.com.br/" target="_blank"&gt;site oficial&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (aliás, fui eu que aprovei o playlist, só pra constar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1o7tPNwRCUk/TrQ6B0uGMjI/AAAAAAAAAnk/CW1jJoywYaY/s1600/TPM.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="235" src="http://4.bp.blogspot.com/-1o7tPNwRCUk/TrQ6B0uGMjI/AAAAAAAAAnk/CW1jJoywYaY/s400/TPM.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-9013714176037070433?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/9013714176037070433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=9013714176037070433' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/9013714176037070433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/9013714176037070433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/11/coluna-social.html' title='Coluna social'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-1o7tPNwRCUk/TrQ6B0uGMjI/AAAAAAAAAnk/CW1jJoywYaY/s72-c/TPM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-3138384651215799132</id><published>2011-10-26T15:34:00.000-02:00</published><updated>2011-10-26T15:34:02.953-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>O Crítico</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-YDJsPiK48vk/TqhETzWLIII/AAAAAAAAAmo/_VejCwywhTw/s1600/revistacritico.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-YDJsPiK48vk/TqhETzWLIII/AAAAAAAAAmo/_VejCwywhTw/s320/revistacritico.jpg" width="294" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O Dias era conhecido no trabalho por sua notória coleção de revistas masculinas. Aliás, mais do que isso: ele semanalmente levava ao escritório suas novas aquisições e as “compartilhava” com os colegas, que durante a pausa para o cafezinho literalmente se amontoavam para observar as donzelas em poses sugestivas e reveladoras. Já era um ritual tão tradicional, que tinha vencido a resistência e os protestos das representantes femininas do local, que tinham cansado de afirmar que a alegação dos rapazes da repartição de que “o interesse era apenas nas entrevistas” era falso e pouco convincente, e que aquela imoralidade tinha que acabar. Mas os homens tinham o aval do seu Ari, o chefe, que não só aprovava a iniciativa, como era um dos mais empolgados quando o Dias chegava com as revistas embaixo do braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela semana, aliás, o Dias tinha chegado com um sorriso sugestivo no escritório quando trazia as revistas. Aos que notaram a empolgação do colega, ele apenas adiantou que numa das publicações tinha uma loira que, segundo suas palavras, era “teste pra cardíaco”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora combinada, um batalhão de marmanjos rodeava a mesa do cafezinho, esperando pela “loira do Dias”, inclusive o seu Ari, que de tão empolgado antes de ir ao encontro dos rapazes passou perfume e penteou os bigodes... Nem ele sabia explicar ao certo o porquê.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o Dias chegou e entregou à revista aos cuidados dos colegas, os comentários empolgados começaram a surgir em profusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Espetáculo! Isso é mulher pra vida toda. – Disse o Ferreira, que invariavelmente fazia sempre a mesma observação todas as semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olha esse piercing, olha esse piercing! – Bradou o Inácio num misto de escândalo e empolgação, depois de esfregar os próprios olhos para certificar-se que não estava vendo mais do que havia na foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Loirão... É de babar! – Resumiu o Pedroca, sempre o mais econômico e sutil nas ponderações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se eu pego ela... – Sussurrou o Janjão, enquanto gesticulava vagamente com as mãos, descrevendo para a fértil imaginação dos colegas tudo o que ele faria se tivesse a moça da revista ao alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem todos pareciam tão fascinados assim. O Vasconcelos, recém chegado no escritório e ainda se acostumando aos hábitos locais, observava as imagens com um interesse diferenciado, mais detalhista, embora aparentemente não muito empolgado. Folheou quatro ou cinco páginas, cuidadosamente antes de sentenciar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que mau gosto. Isso lá são locações pra fotos? Já vi coisa mais interessante em novela mexicana. E que poses são essas? Cadê a estética disso? Horríveis! Vulgar é pouco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de prosseguir com sua avaliação e discorrer analiticamente sobre o que chamaria de “iluminação desastrosa digna de boate de beira de estrada”, o Vasconcelos percebeu que era encarado sob olhares escandalizados do resto dos colegas. Subitamente se deu conta da mancada. Onde já se viu achar defeito em mulher, ainda mais “com tudo à mostra”? Percebendo o tamanho do risco social que corria, folheou mais algumas páginas e sentenciou com um ar bonachão, um tanto forçado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se bem que... Baita gostosa, hein! Pegava. Pegava de jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmação, mesmo que tardia, tranquilizou um pouco o pessoal, principalmente o Dias, que estava quase ofendido com o senso estético exagerado do novo colega. De tão chocado, ele chegou a cogitar inclusive a hipótese de parar com a sessão de apreciação semanal, mas tamanho foi o apoio moral que recebeu dos amigos do escritório, que resolveu continuar. O seu Ari, um dos mais indignados com o deslize, respirou aliviado, e fez questão de dar uma indireta daquelas no Vasconcelos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Abre o olho, rapaz, abre o olho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Vasconcelos ali, encolhido em sua mesa e ainda consternado com a mancada, comentou pra si mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esse bom gosto ainda te mata. Te mata!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-3138384651215799132?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/3138384651215799132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=3138384651215799132' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/3138384651215799132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/3138384651215799132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/10/o-critico.html' title='O Crítico'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-YDJsPiK48vk/TqhETzWLIII/AAAAAAAAAmo/_VejCwywhTw/s72-c/revistacritico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-1088210625585944754</id><published>2011-09-28T16:04:00.000-03:00</published><updated>2011-09-28T16:04:42.882-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Conspiração</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-52H2kaHncaw/ToNvaxT6zhI/AAAAAAAAAmg/IcUWYxQ0AY0/s1600/conspira%25C3%25A7%25C3%25A3o+poste1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-52H2kaHncaw/ToNvaxT6zhI/AAAAAAAAAmg/IcUWYxQ0AY0/s320/conspira%25C3%25A7%25C3%25A3o+poste1.jpg" width="211" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A noite era silenciosa, e seu caminhar era calculado. Ninguém por perto. A luz fraca do poste mal conseguia projetar sua sombra na calçada. Ainda assim, ao longe, conseguiu distinguir um vulto no banco. Era seu contato, lhe esperando como o combinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou apressado e não fez cerimônia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E aí? Como é que é? Quando a coisa vai começar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha uma voz grave, mas segura. Um rosto marcado, e uma expressão amorfa como o de quem já tinha visto, literalmente, tudo e se surpreendido com pouca coisa. Não era a toa que se chamava Universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como, “calma”? A gente tinha feito um acordo, lembra? –Bradou o rapaz, exaltado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Universo manteve-se impávido. Com o mesmo tom de voz seguro, advertiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seja discreto. Quer que a cidade inteira desconfie do nosso encontro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz respirou fundo, e fechou os olhos tentando se convencer de que não valia a pena ficar enfurecido. Acalmou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ok. Mas e aí? Como fica nosso acordo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Fica como o combinado. Vai sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas eu não tenho visto resultados... E já faz tempo que a gente conversou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Universo sorriu, irônico, sem sequer se dar ao trabalho de observar o rosto aflito do rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E você acha mesmo que isso acontece do dia pra noite? Acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu sei que não, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você não tem ideia do tamanho disso, cara. Sequer passa pela sua cabeça o grau de complexidade envolvido nesta operação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz se conteve depois do súbito tom repreensivo adotado pelo Universo. Não imaginava que teria que esperar tanto. Sempre tinha sido apressado por natureza, impulsivo. Talvez por isso mesmo tenha tido a ideia de propor uma conspiração, visando lhe favorecer. Era irônico agora ter que esperar. Mas, ao mesmo tempo, compreendia a situação. O Universo era um cara ocupado com zilhões de coisas pra fazer, tarefas infinitas. Sua agenda evidentemente devia ser apertada. Isso sem contar que era algo “feito por debaixo dos panos”, o que exigia certo grau de discrição. Mas ainda assim não conseguia evitar a ânsia crescente pelo seu sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ok. Talvez eu esteja sendo apressado. Mas é que faz tanto tempo que você prometeu me ajudar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Universo achou graça do “faz tanto tempo”. Alguém vindo reclamar sobre o tempo justo com ele... Haja ironia. Pensou em rir, ou em fazer um comentário sarcástico do tipo “o Einstein disse que isso é relativo”, mas julgou que era meio inútil. Ia soar como provocação. Naquela altura já estava quase arrependido de ter aceitado o esquema proposto. Odiava impacientes. Ainda assim, resolveu usar um tom mais paternal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu vou te ajudar, calma. Mas isso não acontece do dia pra noite. Tenho falado com meus contatos, analisado meios de fazer acontecer... Vai dar certo, relaxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz pensou em pedir prazo, em apresentar contrapropostas, mas se sentiu satisfeito. Concluiu que ele de fato estava empenhado no acordo. Além do mais era uma operação difícil, por mais que sua pressa o fizesse ignorar isso na maior parte das vezes. Sendo assim, deu-se por satisfeito, momentaneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tá. Ok. Confio em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Já era hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas e aí? Como é que a gente faz se precisarmos nos ver de novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu te encontro, quanto a isso não se preocupe. Fontes não me faltam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Agora, se me der licença, vou indo. Espere aqui no banco alguns minutos e saia. Certifique-se que não tem ninguém te seguindo, como te ensinei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tudo bem. E, ei... Obrigado de novo, viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Universo fez um leve aceno com a cabeça ainda sem olhar para a face do rapaz. Se levantou, ergueu a gola do sobretudo negro, e caminhou na direção Oeste sem pressa, se tornando aos poucos apenas um vulto em meio as luzes escassas dos postes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No banco, esperando para sair sem levantar suspeitas, o rapaz suspirou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E eu que achava que esta história do universo conspirar a meu favor seria mais fácil...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-1088210625585944754?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/1088210625585944754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=1088210625585944754' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1088210625585944754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1088210625585944754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/09/conspiracao.html' title='Conspiração'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-52H2kaHncaw/ToNvaxT6zhI/AAAAAAAAAmg/IcUWYxQ0AY0/s72-c/conspira%25C3%25A7%25C3%25A3o+poste1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-1699607679693259045</id><published>2011-08-19T23:14:00.003-03:00</published><updated>2011-08-19T23:21:38.200-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>O fim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-qqPsHm3Qxfs/Tk8YrxJn5YI/AAAAAAAAAiw/DbdgerUXhqc/s1600/o%2Bfim%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-qqPsHm3Qxfs/Tk8YrxJn5YI/AAAAAAAAAiw/DbdgerUXhqc/s320/o%2Bfim%2B2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5642755998325663106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;-Acabou, Lúcio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O que acabou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O namoro. Entre nós. Acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Peraí... Como assim? O que foi que eu fiz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tudo! Você faz tudo. Tudo o que eu quero, tudo o que eu sonho... Tudinho! Você não me deixa faltar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E isso não é bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Será que você não entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Entender o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você é bom demais pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ahhhh... Sem essa, vai? Seja franca comigo. A gente estava tão bem até ontem, e hoje você vem com esse papo? Algo aconteceu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É exatamente isso que você ouviu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Para com isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É sério. Eu fiquei pensando ontem à noite, sabe? Lembrei do dia em que te conheci, das conversas que a gente teve, das nossas noites juntinhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você guardou tudo. Você fez tudo. Agiu exatamente da forma que tinha prometido. Lembrou de cada detalhe de minhas frases. Foi totalmente fiel. Esforçou-se para conseguir me oferecer cada presente que eu disse sonhar um dia receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E o que tem de ruim em ser assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nada, mas... Que tipo de homem faz isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alguém apaixonado, é claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não faz sentido. Eu já tive vários namorados, casinhos, paqueras... Nunca fui tratada assim, entende? Nunca me senti tão segura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E não é isso que toda mulher quer? Se sentir segura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-De certa forma sim, mas no fundo é essa insegurança constante que nos prende, sabe? Aquela impressão de que poderemos ser avisadas por uma amiga a qualquer momento que o nosso namorado estava andando de mãos dadas com uma loira no shopping, de que ele vai esquecer do nosso aniversário de namoro, que vai chegar atrasado no nosso encontro pois não saiu de casa enquanto o jogo na TV não acabou, que vai nos dar uma caixa de bombons baratos no natal ao invés daquele perfume que a gente tanto deseja, que teremos que fingir um orgasmo já que ele pouco se importa se estamos ou não nos satisfazendo na hora da transa... É este medo, esta incerteza, que eu não tenho com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu juro que não estou entendendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Normal. Dificilmente entenderia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Joana, eu te amo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Acabou, Lúcio. Acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte o Lúcio tentou explicar aos amigos os motivos de sua separação. Seus colegas sorriram, e com uma cara de “como você é inocente”, classificaram como previsível a atitude de sua ex-namorada. Também, onde já se viu isso? Tratar uma mulher daquele jeito, cheio de carinhos e mimos? O fim do relacionamento era mesmo só uma questão de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Lúcio, apaixonado, ainda tinha esperanças. Ia tentar marcar um encontro romântico com a melhor amiga da Joana. Quem sabe assim, sendo canalha a ponto de chamar para sair a maior confidente de sua ex-namorada apenas dois dias depois do fim do namoro, ele não conseguiria provar para ela que era digno do seu amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, Lúcio. Você finalmente entendeu.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-1699607679693259045?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/1699607679693259045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=1699607679693259045' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1699607679693259045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1699607679693259045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/08/o-fim.html' title='O fim'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-qqPsHm3Qxfs/Tk8YrxJn5YI/AAAAAAAAAiw/DbdgerUXhqc/s72-c/o%2Bfim%2B2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-7310657028144724330</id><published>2011-08-19T23:09:00.002-03:00</published><updated>2011-09-08T14:06:47.330-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zeluizíces'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Ídolo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ByaLGLwxJz4/Tmj2EiYK0iI/AAAAAAAAAk0/ExYpHXwjoNI/s1600/idoloblog.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-ByaLGLwxJz4/Tmj2EiYK0iI/AAAAAAAAAk0/ExYpHXwjoNI/s320/idoloblog.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Foi numa dessas festinhas infantis de um primo que a gente nunca sabe bem explicar de que lado da família pertence, repleta de crianças que você não faz a mínima ideia de onde são. Uma das jovens convidadas, do alto de seus sete ou oito anos, ouviu alguém comentado que o sujeito grandalhão que mastigava meia dúzia de salgadinhos ao lado da mesa – no caso, eu – era jornalista. Se aproximou, e puxou papo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oi. – Disse sorridente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olá. Tudo bem, moça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uhum... É verdade que você é jornalista? – Questionou ela, com a mais fascinada das expressões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simulando uma modéstia que não condizia com meu estado de espírito no momento, afinal de contas nunca antes alguém tinha mostrado algum tipo de surpresa ou interesse com minha formação acadêmica, respondi com um ar quase heroico: “Sim, eu sou jornalista”. Ela sorriu satisfeita com a resposta, e juro que pude ver um brilho de legítima admiração em seus olhinhos curiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Poxa, que legal! É o primeiro jornalista que conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você quer ser jornalista também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, é o meu sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois tenho certeza que um dia você irá ser uma, se assim quiser. Com esforço e dedicação, você chega lá. – Disse eu, num tom solene, quase dramático, para a atenta menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E em qual canal você aparece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Canal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-De televisão. Em qual deles você trabalha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem, na verdade eu não trabalho na TV. Sou jornalista de jornal impresso, mas também faço matérias pra Internet...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então você não aparece na TV?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, poxa vida... – Suspirou, decepcionadíssima, antes de se despedir sem nenhuma formalidade e voltar ao encontro do resto dos colegas de sua idade, me deixando ali, sozinho, na companhia de coxinhas e empadinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não disse mais nenhuma palavra, mas tenho certeza que, enquanto ia se afastando do tal rapaz jornalista, pensou “Era bom demais pra ser verdade”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-7310657028144724330?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/7310657028144724330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=7310657028144724330' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/7310657028144724330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/7310657028144724330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/08/idolo.html' title='Ídolo'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ByaLGLwxJz4/Tmj2EiYK0iI/AAAAAAAAAk0/ExYpHXwjoNI/s72-c/idoloblog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-2797267910498829079</id><published>2011-07-11T17:36:00.002-03:00</published><updated>2011-07-11T17:38:53.102-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Teoria do caos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-PjTgHd7xqN0/ThtfMHpsPVI/AAAAAAAAAhw/dkN5WFgZqlk/s1600/teoria%2Bdo%2Bcaos%2B2%2Bblog.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 271px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-PjTgHd7xqN0/ThtfMHpsPVI/AAAAAAAAAhw/dkN5WFgZqlk/s320/teoria%2Bdo%2Bcaos%2B2%2Bblog.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628196821146549586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Exercício de compreensão do mundo. Imagine dois indivíduos quaisquer, ambos com pontos de vista diferentes. Os assuntos de que discordam são totalmente irrelevantes. Eles podem estar falando sobre absolutamente qualquer tema, seja algo ligado à política, religião, economia, relações internacionais ou sobre a simetria dos peitos de uma personalidade famosa qualquer clicada recentemente por alguma revista masculina, não importa. O relevante mesmo é saber que ambos têm opiniões divergentes sobre o mesmo assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para facilitar o entendimento do diálogo, vamos diferenciar os sujeitos como “Fulano” e “Beltrano”, muito embora, na prática, eles possam ser substituídos por qualquer ser humano dito comum, tal como eu ou você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu discordo da sua opinião. – Diz o Fulano, exaltado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sério? Bem... É um direito seu. – Responde, calmamente, o Beltrano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você está errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Respeito seu ponto de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você não devia pensar desta maneira. É errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Isso você já disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então mude de opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não dá. Não posso ir contra o que eu acredito. Mas posso debater o assunto, e, se for convencido por meio de bons argumentos, posso mudar de opinião. Nada me impede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas você está errado. Tem que mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não necessariamente. Podemos viver tendo pontos de vista diferentes, não há problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro que tem problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E qual é o problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O problema é que você está errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Porque está, ué.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, mas quais são seus argumentos para afirmar isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não preciso de argumentos. O que é certo é certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas quem disse que você está certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Todos dizem que eu estou certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não é bem assim. Há muita gente por aí que concorda comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas eles não contam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Porque eles estão errados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ora... Isso é ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É claro que não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Cara, vem cá... Eu não estou pedindo pra você mudar de opinião. Sério. Acho válido e saudável existirem pessoas por aí que tenham pontos de vista diferentes, independentemente do assunto. O debate, o confronto crítico e racional de ideias, é um processo saudável. Eu não preciso concordar com você, e nem você concordar comigo para que possamos viver em harmonia, respeitando um ao outro. Entende o que eu quero dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Creio que entendo, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E o que acha disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Acho que você está errado, e que deve mudar de opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ok, eu desisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Previsível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Previsível? Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quem não tem argumentos, foge. Simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triunfante, o “Fulano” deixa o “Beltrano” sozinho, enquanto ele aparentemente tenta entender ao certo a situação que acabou de presenciar, ou pegar qualquer objeto mais próximo para atirar na cabeça do infeliz a fim de amenizar sua raiva. O que for mais fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Fulano” ainda desabafa em voz alta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E depois dizem que não entendem o porquê do mundo estar do jeito que está. Falta diálogo, gente. Será que ninguém percebe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-2797267910498829079?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/2797267910498829079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=2797267910498829079' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/2797267910498829079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/2797267910498829079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/07/teoria-do-caos.html' title='Teoria do caos'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-PjTgHd7xqN0/ThtfMHpsPVI/AAAAAAAAAhw/dkN5WFgZqlk/s72-c/teoria%2Bdo%2Bcaos%2B2%2Bblog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-4219019566282190125</id><published>2011-03-31T22:19:00.003-03:00</published><updated>2011-04-05T02:08:58.370-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Enólogos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-w4ydOfPyAYA/TZUpKdRQqYI/AAAAAAAAAhk/g7pBxedCw5I/s1600/vinho2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 192px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-w4ydOfPyAYA/TZUpKdRQqYI/AAAAAAAAAhk/g7pBxedCw5I/s320/vinho2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590419772082792834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por uma destas estranhas coincidências do destino que só acontecem em crônicas ruins, romances e filmes de gosto duvidoso, o Nathanael e a Cláudia, dois solitários faixa-preta, resolveram transitar ao mesmo tempo pelo corredor de vinhos do supermercado, depois de anos ignorando solenemente a existência de tal departamento. Curiosidade pura, já que não tinham a menor intimidade com o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tatearam aleatoriamente a prateleira durante alguns minutos até que, distraídos, trombaram enquanto tentavam alcançar simultaneamente uma garrafa de tinto português, que foi contida a tempo pelo Nathanael antes de cair. Alívio mútuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado o susto, rindo nervosamente, se apresentaram. Deram suas versões do incidente entre sorrisos desajeitados e tímidos, felizes por terem evitado o “desastre”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falaram de banalidades, tentando achar algum motivo digno pra seguirem conversando. Tinham simpatizado um com o outro, não dava pra esconder. Mas eram pragmáticos, e faltava assunto. Até que a Cláudia lembrou do motivo básico que tinha feito eles, literalmente, se trombarem: o corredor de vinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E então? Gosta de vinhos? – Perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No impulso, o Nathanael respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muito! Não vivo sem. Sou um profundo apreciador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se chocou com a própria resposta. “Profundo apreciador”... De onde tinha tirado aquilo? Não entendia nada do assunto. Era do tipo que não sabia diferenciar “seco” de “tinto”. Queria apenas ter um motivo pra seguir conversando e impressionar a moça simpática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se arrependeu da pergunta. Concluiu que deveria ser a única pessoa do mundo que perderia tempo observando rótulos de uma bebida que pouco tinha tomado e que, no fundo, nem gostava. Era óbvio que o rapaz entendia do assunto, ou então não estaria ali. Ainda assim, se sentiu brevemente surpresa com a resposta. Sempre quis conhecer um homem que entendesse de vinhos. Parecia ser algo tão romântico. No entanto, agora se sentia pressionada. Evidentemente tratava-se de um rapaz sofisticado... Um enólogo, vejam só! Era outro nível. Não podia ficar atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois eu também adoro vinhos. Conheço um pouquinho do assunto...  – Comentou a Cláudia, usando um tom de voz que dava a entender que o “pouquinho”, na verdade, era muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nathanael sorriu, mas estava em pânico. E agora? O que fazer? A Cláudia também se deu conta de que era arriscadíssimo fingir-se entendida de um assunto que não tinha nenhuma intimidade, ainda mais na frente de um especialista. Suavam frio. Sentiram-se prestes a serem descobertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas concluíram que, naquela altura, era tarde para voltar atrás. Teriam que levar a farsa até as últimas consequências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Do que mais gosta? – Perguntou o Nathanel, enquanto tentava arranjar tempo pra bolar um plano capaz de lhe fazer sair ileso da situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tenho um fraco pelos franceses. – Disse a Cláudia, ensaiando um ar nostálgico, buscando na memória cada gota de informação armazenada em sua cabeça sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, os franceses... Divinos, divinos! Mas, para mim, nada substitui um bom tinto chileno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tomei um chileno incrível, certa vez. Chamava-se... Ehhh... El Santiago! Isso, El Santiago. O nome me fugiu por um momento, desculpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se assustou. A moça sabia até citar nome de vinho chileno. Obviamente manjava mesmo do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sentia o coração na boca. Quase tinha sido desmascarada. Onde já se viu inventar nome de vinho assim, no improviso? Nem sabia que faziam vinhos no Chile. Chutou a primeira origem geográfica que lhe passou pela cabeça. “Mais sorte do que juízo, hein dona Cláudia?”, pensou. Estava cada vez mais atolada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não conheço. Mas se você diz que é bom, quero experimentar. – Comentou o rapaz, enquanto ensaiava um sorriso de canto de boca que só os grandes galãs do cinema, e os mentirosos em busca de redenção, eram capazes de exibir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cláudia ficou encantada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É um homem muito sedutor. Tão sedutor quanto um seco italiano que provei certa vez na vinícola de um amigo meu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Italianos são incríveis. “Bambino Milano”, já experimentou? Encorpado, elegante. Como tudo que vem do mediterrâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Adoro! Mas tenho um gosto mais... Contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah é? E entre os contemporâneos, o que sugere?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sul africanos! Levemente ácidos, e absolutamente pós-modernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, os pós-modernos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Embora eu tenha provado dia desses um espumante espanhol safra 1954 que, olha, vou te dizer... So-ber-bo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Hummm...  Quase posso sentir o aroma. Espanhóis são sempre marcantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sem dúvidas. Deveria provar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Irei. Vou até pedir pro meu sommelier providenciar um. Aliás, estou com um tinto português lá em casa que eu estava planejado experimentar hoje à noite – Disse o Nathanael, antes de arrematar – Só me falta uma boa companhia... Gostaria de me acompanhar, enquanto provamos alguns aperitivos e vemos um filme?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cláudia sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Um português é sempre um convite irresistível. Aceito! Só espero não te atrapalhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não irá. Sua companhia é tão suave como um bom rosé argentino. Será um prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saíram rumo ao caixa do supermercado lado a lado, enquanto narravam suas experiências etílicas imaginárias com vinhos do mundo todo. O Nathanael ainda tinha que inventar uma boa desculpa pra justificar a inexistência do tal “tinto português”, mas estava tão entretido com os notórios conhecimentos de sua acompanhante que mal podia lembrar que tudo não passava de uma farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, já no apartamento, quando se deu conta do tamanho do problema que tinha arranjado, o Nathanel se desculpou enfaticamente e explicou que devia ter esquecido a garrafa na adega de algum amigo. Ela nem deu bola, estava mesmo interessada era na companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas, passaram a noite de mãos dadas, assistindo a novela das oito e bebendo Fanta uva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem disse que o romantismo morreu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-4219019566282190125?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/4219019566282190125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=4219019566282190125' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/4219019566282190125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/4219019566282190125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/03/enologos.html' title='Enólogos'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-w4ydOfPyAYA/TZUpKdRQqYI/AAAAAAAAAhk/g7pBxedCw5I/s72-c/vinho2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-1277567456293576033</id><published>2011-02-14T22:07:00.003-02:00</published><updated>2011-07-01T00:54:12.392-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Normalidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-pHmNkQtZtx0/TVnELlCOU0I/AAAAAAAAAhc/4oP9UJFpt1Q/s1600/normal1.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-pHmNkQtZtx0/TVnELlCOU0I/AAAAAAAAAhc/4oP9UJFpt1Q/s320/normal1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573701717046743874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;-Cara, eu sou normal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Normal, sabe...? Eu sou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Normal em que sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sei lá. Normal! Do tipo que você cruza na rua e não percebe nada de esquisito, que não vira de costas pra ter certeza de que a pessoa é daquele jeito mesmo. Entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem... Isso é meio confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vai, não enrola. Responde, poxa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu acho que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Em que sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Em todos, ué. Sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seja mais específico, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem... Você tem dois olhos, um nariz, uma boca. Usa as pernas pra andar. Não usa a cueca por cima da calça... Normal, cara! Não sei de onde você tirou essa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E psicologicamente? Tipo... Eu sou meio pirado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu sou anormal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não, de que jeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não só tem um jeito de ser. Não é não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quer dizer que não sou anormal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tem certeza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É... Acho que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você titubeou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não. Mas é que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É que essas suas perguntas sobre normalidade são tão estranhas que a gente fica até na dúvida se deve ou não afirmar que você é normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu sabia! Sou anormal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não foi isso que eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Porra, Juarez! A gente se conhece a o quê? 20 anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Há 20 anos que eu sou anormal e você só me avisa agora? Que tipo de amigo é você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu não disse que você é anormal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro que disse. E sabe o que é pior? Você me escondeu isso. Mas, nas entrelinhas, eu sempre soube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Cara, isso é paranoia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Agora eu sei. Tudo faz sentido. Tudo se encaixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-De onde você tirou isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-No colégio, era de mim que a turma do fundão ria. Nos danceterias, barzinhos, as meninas evitavam chegar perto de mim. Tinham receio de minha anormalidade. Quando recusavam meus pedidos por vagas de trabalho, eles alegavam que eu era anormal. E o pior é que era tão evidente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Cara...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vinte anos, Juarez! Há malditos 20 anos você me esconde isso. Há 20 anos você me deixou sair pelas ruas sem qualquer tipo de aviso. Sem me dizer que as pessoas iriam olhar de uma maneira diferente. 20 anos! Que tipo de amigo é você, Juarez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tira isso da cabeça, Ademar! Você não é anormal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não confio mais em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Veja bem: se você de fato não fosse normal, porque é que eu iria me relacionar com você? O que eu ganharia com isso? Eu seria um anormal, também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Lógico. E pensando bem, quer saber? O que é ser normal afinal de contas, hein? Me defina, o que é normalidade para você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois fique sabendo que somos todos anormais, Ademar! Todos, sem exceção!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não somos não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro que somos. Olhe em volta, Ademar. Essa sociedade em que vivemos pode ser chamada de normal? Normal, Ademar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esse mundo é louco, Ademar. Tá me ouvindo? Louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vamos filosofar, Ademar! Sabe quem é normal? Ninguém, Ademar! Nem eu, nem você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Juarez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se você é anormal, Ademar, eu também sou. Não ligo. Somos amigos há 20 anos. Te apoio onde você for, do jeito que for preciso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Escuta! Juarez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seremos dois anormais, Ademar. Eu e você. Dois amigos contrariando a normalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Juarez... Por favor, me escuta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Cara... Você está estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deveria procurar um psicólogo, sei lá. Não está falando coisa com coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas eu só estava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Na boa, estou falando isso para o seu bem. Você está me assustando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, você. Acho que precisa de algum tipo de assistência psicológica. Está me deixando assustado, amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não fala nada, Juarez. Só pense em você. Seja positivo e tudo vai dar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de se despedir definitivamente do Juarez e voltar às pressas para casa a fim de consultar a lista telefônica à procura de um bom psicanalista, o Ademar deu um longo e apertado abraço nele. Num momento como aquele, de instabilidade emocional, toda demonstração de carinho seria bem vinda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sair, refletiu sobre todo o tempo que passou ao lado do Juarez sem se dar conta do quanto ele era diferente do normal. Uma lástima não ter percebido antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem diria. O Juarez, hein? Um esquisito!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-1277567456293576033?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/1277567456293576033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=1277567456293576033' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1277567456293576033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1277567456293576033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2011/02/normalidade.html' title='Normalidade'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-pHmNkQtZtx0/TVnELlCOU0I/AAAAAAAAAhc/4oP9UJFpt1Q/s72-c/normal1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-5077674973380925016</id><published>2010-12-30T15:39:00.004-02:00</published><updated>2010-12-30T15:49:18.370-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Ligação de réveillon</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TRzFlFOKiUI/AAAAAAAAAhQ/UzgLW8DGTEM/s1600/liga%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bano%2Bnovo%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TRzFlFOKiUI/AAAAAAAAAhQ/UzgLW8DGTEM/s320/liga%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bano%2Bnovo%2B1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5556533281115769154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;-Alô? ... É você, Elisângela? ... Ai minha filha, graças a Deus! Você não sabe a aflição que a gente estava por aqui. Você saiu no Natal pra ir à praia e não deu mais notícias! Seu pai estava quase chamando a polícia e... Peraí... Onde é que você está? ... Como? ... No aeroporto? ... Fazendo o que no aeroporto, Elisângela? ... Indo pra sua casa nova?! ... Que casa nova? ... Não brinca com isso Elisângela! Eu já estou velha. Meu coração não aguenta mais esse tipo de brincadeira! ... Como assim “está falando sério”? ... Conheceu um cara? ... Amor à primeira vista? ... Você casou, Elisângela??? ... Não brinque com isso, minha filha! ... Falando sério porra nenhuma!! Você não pode estar falando sério! ... Minha filha... Ô minha filha! Como é que você me faz isso? Todos esses anos de educação pra você me aprontar uma dessas? Eu vou morrer de desgosto, Elisângela!! ... Vá pra puta que pariu com esse papinho de “ano novo, vida nova”! Vida nova é o cacete!!! ... Você vai voltar pra casa agora, ou eu mando a polícia ir aí prender esse cretino que te está te iludindo! ... Bom moço? Ele casa contigo em menos de uma semana, te sequestra, está te levando pra morar em algum barraco por aí sem nem sequer vir aqui pra pedir sua mão e você quer que eu engula que ele é um “bom moço”? ... Tavinho é o nome dele, é? Ele está aí perto? ... Então fala pro Tavinho que se ele não te trazer de volta agora, a coisa vai ficar preta pro lado dele! ... Deixa de ser burra, Elisângela! Como é que ele vai te sustentar? Garanto que ele não tem nem onde cair morto. Aliás, nem você tem! Você nunca lavou uma peça de roupa na sua vida, Elisângela! Como é que você vai querer ser dona de casa agora? ... Quem não está entendendo a situação é você! Você é uma burra, uma tonta! Esse Zé Mané vai te passar pra trás e te botar pra trabalhar! ... Como é que você não quer que eu fique nervosa? Você tem ideia da besteira que está cometendo, Elisângela? ... Rapaz direito é o cacete! Se ele tivesse um pingo de caráter tinha aparecido aqui antes pra pedir tua mão em namoro. Casamento então, ele só pediria depois de um bom tempo. Mas é claro: ele só faria isso se ele não fosse um picareta que ilude moças tontas como você! Bem que dizem que Deus dá peito grande ou cérebro, nunca os dois! ... Não deu pra esperar? Por que, hein? Por acaso o cartório ia explodir? O Padre ia ser excomungado? Como é que não dava pra esperar pra se casar então, menina de Deus? ... Nem tente vir me explicar! Isso não se justifica por nada nesse mundo! ... Como? ... Herança? ... Pai falecido dono de multinacional? ... Milionário? ... Comunhão de bens? ... Morar em Paris? ... Ô, minha filha! ... Tadinho do Tavinho! ... É claro que agora eu entendo a situação! ... Você está certa. Amor sincero assim a gente não pode desprezar! ... Imagina, nem precisa se preocupar com seu pai. Eu explico tudo pra ele! ...Vá com Deus, Elisângela! ... E por favor, cuida bem do Tavinho! Essas viagens intercontinentais devem cansar bastante. Um rapaz direito e sério assim a gente não encontra todo dia! ... Está quase se atrasando? Então corre, filha. Você não pode perder esse voo por nada nesse mundo! ... Feliz ano Novo pra você também, minha filha amada! Pra você e pro Tavinho! ... E mande noticias assim que chegar lá, ok? ... Mamãe te ama, minha princesa! ... Beijos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Texto publicado originalmente em 31 de dezembro de 2007.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-5077674973380925016?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/5077674973380925016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=5077674973380925016' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/5077674973380925016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/5077674973380925016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/12/ligacao-de-reveillon.html' title='Ligação de réveillon'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TRzFlFOKiUI/AAAAAAAAAhQ/UzgLW8DGTEM/s72-c/liga%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bano%2Bnovo%2B1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-6311360452417841557</id><published>2010-12-12T20:48:00.007-02:00</published><updated>2011-07-19T21:49:54.316-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Manual da conquista</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TQVSgeGvLbI/AAAAAAAAAhE/UImpTLNaNbo/s1600/manual%2Bda%2Bconquista2.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 253px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TQVSgeGvLbI/AAAAAAAAAhE/UImpTLNaNbo/s320/manual%2Bda%2Bconquista2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549932833594617266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dizem que os cientistas de uma conceituada universidade que fica em algum ponto oculto do planeta resolveram fazer uma pesquisa inusitada: criar o guia perfeito para homens e mulheres residentes do lado ocidental do planeta conquistarem com facilidade as espécimes do sexo oposto. Uma tarefa que escritores, poetas, músicos, filósofos e demais representantes de ramos da arte e da intelectualidade humana sempre tentaram assumir, mas nunca com um sucesso efetivo. Segundo os pesquisadores, tal projeto foi motivado com o objetivo de facilitar as relações afetivas humanas, tão abaladas após o início desta era pós-moderna. Há boatos também de que na verdade o interesse científico pelo tema foi motivado pela falta de tato que os estudiosos tinham com relacionamentos amorosos, versão não confirmada oficialmente por nenhum envolvido no processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de uma criteriosa e extensa pesquisa e seleção de colaboradores, centenas de homens e mulheres, dos mais diferentes gostos, tipos e aparências foram divididos em dois grupos, e encarregados de ajudar os cientistas a redigir a versão final do manual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram anos de pesquisas teóricas e de campo, debates, enquetes, experiências, formulação de teorias empíricas, e demais tipos de estudos que auxiliaram na criação do guia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muito tempo de trabalho árduo, o projeto finalmente foi concluído, e segundo os idealizadores da pesquisa, o Manual da Conquista é o mais completo e perfeito fornecedor de dicas para que homens e mulheres consigam conquistar a pessoa amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, vocês terão acesso a um resumo das principais conclusões do estudo, que ainda não foi divulgado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começaremos com a pesquisa entregue pelo grupo de mulheres, que formularam teorias supostamente infalíveis para que homens conseguissem agradá-las. Vale lembrar que o manual feminino, depois de concluído, é composto por milhares de páginas, centenas de horas de áudio e vídeo, além de inúmeros anexos e apêndices com infográficos, entrevistas, relatos de experiências práticas e demais adendos que auxiliem os representantes do sexo masculino a conquistá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue o resumo com os principais pontos de destaque citados pelas mulheres envolvidas na pesquisa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;COMO CONQUISTAR UMA MULHER&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-Seja delicado. É importante que um homem saiba como abordar uma mulher de uma forma suave. Não há nada mais frustrante que rapazes que fazem o primeiro contato sem pudores ou cuidados especiais. Não somos objetos baratos. Queremos ser tratadas como damas. Mesmo assim, é importante ter atitude. Homem bonzinho demais não serve. Tem que ter pegada. Uma pegada suave. Carinhosa. Mas tem que pegar. Tem que mostrar que você quer a mulher, que você deseja tê-la mais do que tudo, mas sem querer muito. Entendem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não há nada mais sedutor do que um homem que goste de fina arte. Recitar poesias, ouvir e gostar de músicas de compositores românticos é sempre um auxílio e tanto para quem deseja conquistar uma mulher. Saber falar de artes plásticas também é um bom começo. De preferência, tenha sempre trechos inteiros de algumas obras literárias decoradas e ensaiadas para recitar em algum momento do primeiro encontro. Nada de poemas abstratos, ou demais obras que falem de temas que não estejam ligados ao amor. As mulheres querem saber de romantismo, e pouco se importam se “na sua terra tem palmeiras, onde canta o sabiá”. Queremos nos sentir apaixonadas... Mesmo que seja só por uma noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Saiba dançar. Se não souber dançar, ao menos queira aprender a dançar. Se não quiser aprender a dançar, ao menos tenha a coragem necessária para acompanhar sua pretendente para o meio do salão e chacoalhar o corpo enquanto ela arrasa. Não sinta-se preocupado em parecer idiota. Mulheres acham isso lindinho. Só não exagere...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Dê um buquê de flores para sua pretendida. Lembre-se: um buquê. Pegar um maço de flores em um jardim, ou comprar uma ou duas margaridas na floricultura não são sinais de romantismo, e sim de avareza. Rosas são preferência absoluta. Rosas vermelhas. Rosas vermelhas, importadas. Rosas vermelhas, importadas, florescidas na primavera, sob o orvalho da região do Mar Mediterrâneo. Caso não as encontre, qualquer tipo de espécie rara pode servir como um substituto adequado. Coloque sempre um cartão no buquê dizendo o quanto você a admira, o quanto ela é especial, e como sua vida seria desprezível se ela não existisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se encontrar algum amigo enquanto estiverem num encontro, tente não entrar em contato com ele. O máximo permitido é um “Oi, tudo bem?”. Mais do que isso é sinal que você dá mais importância para seus amigos do que para mulher que está tentando conquistar. Precisamos ser, por obrigação, a principal estrela da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seja culto, mas não exagere. Mulheres gostam de sentirem-se bem acompanhadas intelectualmente. Tente ler artigos científicos, e mantenha-se informado sobre os principais acontecimentos do mundo. Esteja preparado para discorrer analiticamente sobre algum tema do cotidiano. No entanto, tome cuidado, e jamais insinue que é mais esperto que sua pretendida. Além de improvável, tal hipótese é ofensiva. Lembre-se: você é e sempre será só um coadjuvante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ao contrário do que muitos pensam, boa aparência nem sempre é fundamental. No entanto, é (altamente) recomendável. Certifique-se de estar de banho tomado, barba feita, cabelo arrumado, e sua melhor roupa para o encontro. Use camisas de tons mais claros, sem estampas. Um cachecol pode ajudar a dar um ar mais interessante (ignore o calor, se houver). Use um perfume agradável, suave. Se for pra usar desodorante barato, é melhor ficar só no sabonete. Sapatos limpos são requisitos obrigatórios. As unhas devem estar cortadas. Manicure é opcional. Use anticéptico bucal. Balinhas de menta, como complemento, são uma boa pedida. Tente marcar uma consulta com seu dentista, antes de ter o primeiro contato com a garota pretendida. Lembre-se: usar cremes para a pele regulamente não é luxo, é necessidade. Só use óculos se já tiver informações preliminares que indiquem que sua paquera tenha simpatia por tal acessório. Se ela não gostar, lentes de contato (de tonalidade azul, preferencialmente) são o substituto mais indicado. E o mais importante: seja bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Recomenda-se que todo homem que pretenda se envolver amorosamente com uma mulher tenha estabilidade financeira. Um bom emprego é algo absolutamente romântico. Levar um holerite com informações do seu último pagamento pode ser uma boa forma de seduzir sua amada, e quebrar o gelo. Em algumas culturas, tal gesto tem um forte caráter afrodisíaco. Mulheres também apreciam o desapego às coisas materiais. Prove isso gastando boa parte de seus ganhos comprando um belo e caro presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É recomendado que o candidato esteja em boa forma física. Contrate um personal trainer, ou passe a freqüentar uma academia. Se não tiver condições financeiras de bancar uma das possibilidades apresentadas, nem perca o seu tempo. Arranje um emprego decente, com um salário maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Jóias são uma demonstração perfeita de romantismo. As chances que um homem tem de tocar o coração de sua amada são proporcionais à quantidade de quilates das pedras contidas na jóia que lhe oferecer. Vale lembrar que bijuterias não tem absolutamente nada de romântico, pelo contrário: são ofensivas. Colares, brincos, pulseiras ou qualquer outro acessório feito com base em argila, madeira, casca de árvore, plumagens de aves, ou outro tipo de artesanato, também são passíveis de represálias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nunca, jamais, sob hipótese alguma, olhe em direção a outra mulher. Mãe e demais parentes do sexo feminino não são exceção. O ângulo de visão mínimo de distância recomendado é de 90°. Menos do que isso é prenúncio de atritos. Se for impossível olhar para qualquer ponto ao redor sem enxergar uma mulher, é sinal que você está num lugar inadequado, e deve sair dali imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Em caso de brigas, é de fundamental importância que você assuma a culpa do ocorrido. Não tente se justificar. Você está errado, não importa o que tenha acontecido. Uma caixa de bombons (em forma de coração, preferencialmente) também é uma boa opção para restabelecer os laços afetivos. Em último caso, recite algum poema romântico. Se nada disso funcionar, você é um canalha, e não merece perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ligue no dia seguinte. Não importa o que aconteça, nem como aconteça. Ligue no dia seguinte. Não é uma sugestão. É uma ordem. Ligue no dia seguinte!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a parte do manual criada pelos homens teve algumas peculiaridades. Enquanto as mulheres levaram alguns anos para conceber detalhadamente os meandros da relação de aproximação entre um casal, com milhares de itens e subitens que auxiliem um representante do sexo masculino a conquistá-las, os homens foram bem mais “econômicos”, levando apenas duas semanas para concluir o estudo, sendo que boa parte do tempo foi gasto em pesquisas de campo em um ambiente criado artificialmente simulando um bar com cerveja a preços módicos e uma mesa de bilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parte escrita do projeto entregue também foi consideravelmente menor que a das mulheres, sendo que praticamente 90 % do conteúdo foi dedicado a um apêndice intitulado “tipos ideais” com fotos de modelos e atrizes mundialmente conhecidas em trajes mínimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, fique na sequência com os principais pontos de destaque citados pelos homens envolvidos na pesquisa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;COMO CONQUISTAR UM HOMEM&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-Tenha peitos grandes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-6311360452417841557?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/6311360452417841557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=6311360452417841557' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/6311360452417841557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/6311360452417841557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/12/manual-da-conquista.html' title='Manual da conquista'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TQVSgeGvLbI/AAAAAAAAAhE/UImpTLNaNbo/s72-c/manual%2Bda%2Bconquista2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-8797460316675261218</id><published>2010-10-07T23:57:00.003-03:00</published><updated>2010-10-08T00:24:24.920-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Laranja</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TK6I5-cj7sI/AAAAAAAAAg8/bGLUiS_8feg/s1600/taxi+nova+york+amarelo+2.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TK6I5-cj7sI/AAAAAAAAAg8/bGLUiS_8feg/s320/taxi+nova+york+amarelo+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525504322426891970" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Presenciei o diálogo dias desses:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhavam por uma das ruas do centro de Curitiba no fim de tarde, sem pressa, apreciando a paisagem, como duas turistas da própria cidade. Uma delas olhou durante algum tempo para o ponto de taxi ao lado da praça e comentou com um tom de inconformismo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Taxi laranja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Laranja! – Enfatizou a companheira de caminhada, como se tivesse percebido a mesma coisa, e compartilhasse de uma indignação semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Onde já se viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Só aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tem tanta cor interessante por aí, e escolhem laranja. Laranja!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Laranja não dá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tudo menos laranja!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Coisa cafona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Extremamente cafona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bom mesmo é em Nova Iorque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nova Iorque! – Repetiu a colega de caminhada, com entusiasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Taxi, lá, é amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Amarelo é outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muda tudo. Dá outra vida, outra cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seria outra cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Outra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-So-fis-ti-ca-ção! Anos luz à frente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E nós de laranja. Pode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Lá é primeiro mundo, né amiga? Não dá pra competir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O dia que os taxis daqui forem amarelos... Vou te dizer, hein? A história será outra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Outro nível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas laranja...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Laranja não dá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não dá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seguiram seu caminho certas de que, com uma consultoria visual mais caprichada, até Curitiba tinha salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema, quem diria, é o laranja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-8797460316675261218?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/8797460316675261218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=8797460316675261218' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/8797460316675261218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/8797460316675261218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/10/laranja.html' title='Laranja'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TK6I5-cj7sI/AAAAAAAAAg8/bGLUiS_8feg/s72-c/taxi+nova+york+amarelo+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-2139679060039727069</id><published>2010-07-21T12:23:00.002-03:00</published><updated>2011-09-16T14:17:46.962-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Rotina</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TEcRShLYsyI/AAAAAAAAAgs/tQhLdDjlbmo/s1600/rotina1.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496380880070423330" src="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TEcRShLYsyI/AAAAAAAAAgs/tQhLdDjlbmo/s320/rotina1.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 240px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;Todos os amigos, parentes e demais conhecidos eram unânimes: o Otávio era um grande cara, desses difíceis de encontrar por aí. Íntegro, trabalhador, bem humorado, compenetrado... Não faltavam adjetivos para definir o quanto ele era relevante naquilo que fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, tão unânimes quanto as impressões à respeito do caráter e da competência do Otávio, eram também as preocupações quanto aquele que todos consideravam ser o grande defeito de sua personalidade: seu amor pela rotina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Otávio era obcecado em manter seu dia-a-dia com o mínimo de alterações possíveis. Para convencê-lo a passar no bar e bater um papo com os amigos antes de seguir para casa e ler o seu livro, dava trabalho. Ele alegava que tinha “muito a fazer”, e que sempre estava num capítulo importante de sua leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando aceitava permanecer reunido com os amigos, era visível seu incômodo: ficava olhando sistematicamente para o relógio com cara de preocupado. Os mais observadores diziam que a cada minuto que passava era possível enxergar mais gotas de suor se formarem em sua testa, reação que eles creditavam ao medo que sentia de atrasar seus afazeres cotidianos. Quando decidia ir embora, sempre pouco tempo depois de ter chegado, se despedia apressado e corria o mais rápido que podia para o seu carro a fim de chegar logo em casa e colocar sua rotina em ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um dia, quem diria, o Otávio apareceu voluntariamente no encontro dos amigos com uma loira a tiracolo. E que loira! Era quase um exemplar digno de bienal. Boquiabertos, os amigos tentavam criar uma teoria minimamente plausível para explicar como um cara tão ocupado em manter uma rotina tinha achado tempo para arranjar uma namorada como aquela. Em particular, o Otávio contou que a tinha conhecido na lavanderia, e que se apaixonaram na hora. E, pasmem: de tão encantado, chegou até a esquecer o que ia fazer. Ainda segundo ele, a moça tinha apresentado um novo sentido para sua vida, uma perspectiva que jamais tinha experimentado antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentenciou: dali em diante, seria um novo homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato o Otávio tinha mudado: participava das bebedeiras dos amigos, aparecia nas peladas com os colegas de trabalho, saía nos fins de semana para pescar com os vizinhos, levava a “loira da sua vida” para jantar em restaurantes finos... Mas algo parecia fora do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Otávio não era mais o mesmo. Podia ser só a falta de hábito em não vê-lo mais olhando para o relógio a cada instante, mas algo definitivamente tinha mudado. Suas gargalhadas não eram mais intensas como antes, seus comentários já não despertavam mais a mesma simpatia dos colegas, suas teorias já não geravam debates tão acalorados. Parecia cansado. Parecia frio. Parecia triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas só foram mudar dias depois, quando o Otávio chegou atrasado à confraternização semanal com os amigos. Pediu uma cerveja, e disse que ficaria “só um pouquinho”. Durante os minutos que permaneceu, anunciou que tinha terminado com a “loira da sua vida”, nem ele sabia explicar o porquê.  Sabia dizer apenas que se sentia bem, e achava que tinha tomado a decisão certa. Despediu-se apressado, olhando para o relógio, dizendo que precisava chegar logo em casa para terminar o livro que estava lendo, com uma alegria que há muito não se via.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos, satisfeitos, sorriram. O Otávio finalmente tinha se reconciliado com seu grande e verdadeiro amor: a rotina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas tinham voltado a seu devido lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-2139679060039727069?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/2139679060039727069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=2139679060039727069' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/2139679060039727069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/2139679060039727069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/07/rotina.html' title='Rotina'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TEcRShLYsyI/AAAAAAAAAgs/tQhLdDjlbmo/s72-c/rotina1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-1770936688177524723</id><published>2010-07-03T16:06:00.003-03:00</published><updated>2011-07-19T21:51:37.125-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Semântica</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TCznphxdE1I/AAAAAAAAAgc/YinDUsCZrBk/s1600/sam%C3%A2ntica+pimenta1.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TCznphxdE1I/AAAAAAAAAgc/YinDUsCZrBk/s320/sam%C3%A2ntica+pimenta1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489016746484241234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quatro anos de casamento. Casal na cama. Preliminares sexuais rotineiras. Ela sussurra em seu ouvido, enquanto ele se concentra nos chupões no pescoço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Benzinho... Vamos tentar algo diferente hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Assistir o Animal Planet?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não... No sexo! Quero algo mais apimentado. Algo mais... Quente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pensou um pouco, confuso, enquanto ela mordiscava os lábios de forma insinuante e guiava suas mãos por seu corpo. Cogitou a hipótese de desligar o ar condicionado, mas logo abandonou a teoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alguma sugestão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu estava pensando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Queria ouvir algo sacana. Uma sacanagenzinha bem gostosa. Que tal, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em silêncio, ele tentou imaginar o que passava pela cabeça da esposa. Já fazia tempo que o sexo entre eles não era sinônimo de criatividade, mas aquilo estava longe de ser um defeito para ele. Sempre foi horrível com improvisações. Odiava quando ela inventava essas histórias. Era um fã da rotina e se orgulhava disso. Gostava das coisas simples, à moda antiga. Dormiria de ceroulas se não estivesse tão fora de moda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, resolveu atender à esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sacanagem, é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Isso, meu gostosão. Quero que você fale muita sacanagem, bem baixinho, aqui no meu ouvido. Vou ficar completamente louca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ok... Vamos tentar. – Disse ele pouco antes de “atacar” aos beijos sua mulher, visivelmente excitada com o novo exercício de criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Fala meu gostoso... Fala...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tua mãe é uma pilantra... Ah, é! Piranha, piranha, piranha! Velha encrenqueira... Chata! – Emendou ele, já empolgado com a novidade, enquanto mordiscava a nuca da esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como é que é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Aquela bruxa velha... Safada! – Continuou o rapaz, sem se dar conta da surpresa de sua mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou um bocado para que os dois voltassem a se falar depois do episódio. Ela estava escandalizada com as ofensas brutais desferidas pelo marido, e ele inconformado com a postura da esposa, alegando em sua defesa que “foi ela quem tinha começado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas fizeram as pazes, mas juraram nunca mais inventarem novidades na cama. Pelo menos não antes de um detalhado planejamento técnico, que envolvia um debate sobre o que seria permitido ou não, e de uma apresentação em Power Point pra deixar tudo o mais esclarecido possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é... Até sacanagem tem limite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-1770936688177524723?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/1770936688177524723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=1770936688177524723' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1770936688177524723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1770936688177524723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/07/semantica.html' title='Semântica'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TCznphxdE1I/AAAAAAAAAgc/YinDUsCZrBk/s72-c/sam%C3%A2ntica+pimenta1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-1135299847049876114</id><published>2010-07-02T22:01:00.004-03:00</published><updated>2010-07-02T22:12:12.691-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='D.E.S.F.S.V.S.F.'/><title type='text'>Devaneios empíricos sobre o futebol e suas vertentes supostamente filosóficas – Fim de Copa do Mundo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TC6MTQi_OVI/AAAAAAAAAgk/Jg6MClHfe1s/s1600/fim+de+copa1.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 185px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TC6MTQi_OVI/AAAAAAAAAgk/Jg6MClHfe1s/s320/fim+de+copa1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489479258298333522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Hipótese 1: Brasil sagra-se campeão mundial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Le-le-ô, le-le-ô, le-le-ô… Brasil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É cam-pe-ão! É cam-pe-ão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É hexa, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-90 milhões em ação… Pra frente Brasil… Salve a seleção!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que Copa, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Espetacular, espetacular…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Chuuupa, Maradona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Melhor que o time de 70.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Felipe Melo botava o Pelé no bolso. Craque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E o Dunga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Herói. Mandou a Globo calar a boca, e montou um timaço. Sempre botei fé nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esse é macho. Se fosse o técnico de 2006, já seríamos Heptas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O Parreira era um cagão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pode crer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pena que acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois é. Copa do Mundo é bom demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por mim, o ano poderia acabar agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas mudando um pouco de assunto, galera. E as eleições? Dilma, Serra ou algum outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E eu lá to interessado em eleição, rapaz? Vira essa boca pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É... Larga mão de ser chato. Eu quero mais é que eles se ferrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas é importante escolher bem. O país tá cheio de corrupto e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alguém traz uma cerveja aqui pra calar a boca dele, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que cara chato, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É, cara... Você acha que alguém tá ligando pra isso? Na hora eu escolho. O importante mesmo agora é comemorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Agora, e nos próximos meses...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Escolhe no cara-ou-coroa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Boa ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O importante é que deu Brasil. O resto é detalhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Viva o Brasil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Euuuuu... Sou brasileirooooo... Com muito orgulhooooo... Com muito amooooooor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Hipótese 2: Brasil é eliminado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Puta que pariu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ti-mi-nho! Ti-mi-nho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esse hexa não vai chegar nunca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Puta que pariu... A seleção é a vergonha do Brasil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que Copinha, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ridícula, Ridícula…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E o Maradona ainda vai ficar pelado... Pelado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É a pior seleção que eu já vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro! Queria o quê com o Felipe Melo de volante? Deu sorte de classificar nas eliminatórias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E o Dunga, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Filho de uma puta. Ficou arranjando encrenca com a imprensa, ao invés de montar um time que prestasse. Aquele, nunca me enganou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Cagão de merda. Conseguiu fazer pior do que foi feito em 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se tivesse deixado o Parreira, isso não teria acontecido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pode crer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Graças a Deus que o sofrimento acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois é. Essa porcaria de Copa do Mundo não acabava nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por mim, o ano poderia acabar agora. Tem que recomeçar do zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas mudando um pouco de assunto. E as eleições? Dilma, Serra ou algum outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E eu lá to interessado em eleição, rapaz? Não está vendo o meu estado emocional?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É... Larga mão de ser chato. Eu quero mais é que eles se ferrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas é importante escolher bem. O país tá cheio de corrupto e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alguém traz uma cachaça aqui pra calar a boca dele, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que cara chato, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É, cara... Você acha que alguém tá ligando pra isso? Na hora eu escolho. Agora tá todo mundo completamente arrasado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Agora, e nos próximos meses...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Escolhe no cara-ou-coroa, e para de encher o saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Boa ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Depois da humilhação que a gente passou, nada poderia ser pior. O resto é detalhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Foda-se essa merda de país!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vergonhaaaaaa... Vergonhaaaaaa... Vergonhaaaaaa... Time sem vergonha!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-1135299847049876114?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/1135299847049876114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=1135299847049876114' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1135299847049876114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/1135299847049876114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/07/devaneios-empiricos-sobre-o-futebol-e.html' title='Devaneios empíricos sobre o futebol e suas vertentes supostamente filosóficas – Fim de Copa do Mundo'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TC6MTQi_OVI/AAAAAAAAAgk/Jg6MClHfe1s/s72-c/fim+de+copa1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-5669358689471058700</id><published>2010-06-08T23:00:00.003-03:00</published><updated>2011-01-24T23:53:32.130-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Homenagem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TA78ig501SI/AAAAAAAAAgU/b7B5-LBhYEc/s1600/estrelas3.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 238px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TA78ig501SI/AAAAAAAAAgU/b7B5-LBhYEc/s320/estrelas3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5480595466434696482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De vez em quando o Nelson tinha umas ideias bizarras para agradar a Suelen, sua namorada. A da vez, na véspera do dia dos namorados, foi parar o carro numa estrada rural, isolada de qualquer ponto habitado, e pedir para que ela se deitasse olhando para o céu junto com ele. Acostumada com as invenções do rapaz, ela topou a proposta, mesmo depois de alguns protestos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Lindo este céu, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O céu é um só, Nelson. Que diferença tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É só reparar. Perceba o brilho das estrelas. É muito mais intenso, mais vivo, aqui no campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A única coisa intensa aqui é a coceira que eu estou sentindo nas costas depois de deitar nesse monte de mato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É o contato com a natureza, amor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não. É a alergia, mesmo. Vamos embora logo, vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Daqui a pouco. Agora feche os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O que é que você vai inventar, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É surpresa. Feche os olhos, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ok, ok...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Já fechou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ok, então. Pode abrir os olhos agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tá, e daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não tá vendo minha mão apontando pra algum lugar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tá apontando pra cima. O que há de interessante nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ela não está apontando simplesmente “para cima”. Ela está indicando um ponto específico. Meu presente pra você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Presente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É... Presente! Tá vendo aquela estrela ali, amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Qual delas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Aquela que meu dedo está apontando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tem pelo menos dois milhões de estrelas na direção em que seu dedo está apontando, Nelson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É aquele ali, ó! Bem brilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você não está se referindo à lua não, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É claro que não, boba!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não tem como identificar, Nelson. Você está me achando com cara de astróloga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ok, ok... Escolhe uma, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uma o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uma estrela, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tá, mas pra quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pra te dar de presente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E como é que você vai me dar uma estrela de presente, Nelson?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Dando, ué. O espaço é público. Ela será a nossa estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E pra que é que eu vou querer uma estrela, hein? Me explique!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ora... Pra ser nossa, ué. Nosso pontinho no céu. Para que, quando a gente estiver distante um do outro, possamos olhar para o alto e mirar no mesmo ponto do espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas pra que isso, afinal de contas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pelo simbolismo! Será que você não vê? Pense só em como seria lindo se olhássemos para o mesmo lugar, ao mesmo tempo, mesmo estando longe. Tem coisa mais linda do que isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tem sim. Um presente decente no dia dos namorados, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E qual é a poesia nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A mesma de olhar pra uma estrela no céu ao mesmo tempo: nenhuma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você não está vendo o romantismo presente neste gesto? É uma homenagem ao nosso amor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Homenagem? Só se for à sua falta de noção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Me leva pra casa, vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nelson voltou pra casa frustrado. Afinal de contas, qual é a mulher no mundo que não adoraria ganhar uma estrela de presente no dia dos namorados? Concluiu que o romantismo estava em vias de extinção, e que homens como ele eram itens ultrapassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, percebendo que não havia meios de lutar contra esta nova tendência mundial, se rendeu ao “neorromantismo“ que ditava as relações afetivas humanas, e foi ao shopping escolher um presente mais “normal” para agradar a Suelen, ainda enfurecida por não ter ganhado nada no dia dos namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprou um liquidificador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-5669358689471058700?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/5669358689471058700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=5669358689471058700' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/5669358689471058700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/5669358689471058700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/06/homenagem.html' title='Homenagem'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/TA78ig501SI/AAAAAAAAAgU/b7B5-LBhYEc/s72-c/estrelas3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-8426655999363384511</id><published>2010-05-18T17:58:00.006-03:00</published><updated>2010-05-18T18:10:14.609-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='D.E.S.F.S.V.S.F.'/><title type='text'>Devaneios empíricos sobre o futebol e suas vertentes supostamente filosóficas (D.E.S.F.S.V.S.F.) – Convocação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S_MAAmuULqI/AAAAAAAAAf8/CvaZHSFCjHI/s1600/selecao+82+convoca%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 218px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S_MAAmuULqI/AAAAAAAAAf8/CvaZHSFCjHI/s320/selecao+82+convoca%C3%A7%C3%A3o.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5472717982580092578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;“Toda unanimidade é burra” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nelson Rodrigues&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E a seleção, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sete volantes... Sete!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O Dunga tá de brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ele está certo! Gostei da convocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhares repreensivos na roda de amigos, todos dirigidos ao Freitas, o corajoso rapaz que declarou seu apoio ao técnico da seleção. Não era todo dia que se encontrava um sujeito com culhões para bancar uma opinião tão impopular, ainda mais num debate entre várias pessoas. Além do mais, todo diálogo sobre técnico da seleção que se preze precisa ter comentários jocosos sobre a capacidade intelectual do dono do cargo. É quase uma lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, não era a primeira vez que o Freitas tinha feito algo do gênero. Seus antecedentes incluíam defesas acaloradas ao estilo de pilotagem do Rubinho Barrichello, para desespero e indignação dos colegas. Era o típico “homem polêmica”. Adorava discordar, embora ninguém soubesse dizer ao certo se era por ter de fato convicção do que dizia, ou apenas pra irritar os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, resignados, pediram argumentos para sua defesa às escolhas do Dunga para a Copa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É um time competitivo. Tem jogadores que apesar de não serem brilhantes individualmente, se encaixam perfeitamente no estilo de jogo coletivo que o Dunga adotou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Papo furado. Quero ver você falar em “jogo coletivo” quando a gente tomar uma piaba de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Periga perder pra Coréia do Norte. – Disse o Tavinho, o mais radical do grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não sejam exagerados. Essa seleção ganhou tudo o que disputou. Copa América, Copa das Confederações... Quer prova maior de que o Dunga está certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mais sorte do que juízo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Falta criatividade. Técnica. Se o Kaká se machucar, entra quem? Cadê o gênio do time?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não venha com este papo de gênio. Futebol é futebol. Einstein nunca jogou bola!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Heresia! Heresia! E o Pelé?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Calma... O que eu quero dizer é que futebol é resultado. Não adianta ter 10 malabaristas em campo, se o time não ganhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Lá vem você com este papo de resultado. Futebol brasileiro é arte, amigo. Tem que ganhar e jogar bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Falou tudo. Taí 70 pra provar. Aquilo sim era seleção. Carlos Alberto, Gerson, Rivelino, Jairzinho, Pelé...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Jogou bonito e ganhou. Argumenta com isso, agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E 94, hein? Lembram-se de 94? No papel o time era horrível, mas foi campeão. Não é isso que interessa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas tinha o Romário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem lembrado. Romário era gênio. Só ele jogou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois é. Cadê o Romário do Dunga? Não tem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não precisa. Nosso time é mais do que só um atacante. Nossa defesa é fantástica, a melhor do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E desde quando o Brasil foi conhecido por ser bom na defesa, Freitas? Bota isso na cabeça: Brasil é ataque, é futebol bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Do que adianta atacar muito e perder? Quem fica na história é quem vence, seja jogando bonito ou não. Lembre de 94, e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Puta merda! Chega de 94! Você está transformando a exceção em regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu renuncio a 94, tá ouvindo Freitas? Renuncio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Calma Tavinho, calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Calma nada. Prefiro mil vezes perder no ataque, jogando bonito, vendo craques vestirem a amarelinha, do que este time de volantes que o Dunga montou. Juro pra você: prefiro a derrota. Se a seleção fosse um timaço e perdesse, eu ficaria orgulhoso. Mais orgulhoso do que se esta seleção mequetrefe for campeã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Concordo contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muito bem, Tavinho. Disse tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tem toda razão. Prefiro perder vendo o nosso talento em campo, do que ganhar jogando feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que o Freitas, cansado de ser alvo do massacre, reagiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E 82, hein? Falem de 82! Jogava bonito. Ganhou? Não. Ficaram orgulhosos? Ficaram felizes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não fala de 82! Não fala de 82! – Gritou o Tavinho, furioso, enquanto tentava agarrar o pescoço do Freitas, até ser contido pelos demais colegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Porra, Freitas! 82 é golpe baixo. Você não tem coração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pegou pesado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quanta maldade, meu Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chateados, os quatro amigos deixaram o Freitas, literalmente, falando sozinho. Afinal de contas, dar exemplos é uma coisa, mas cutucar traumas do passado já é apelação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-8426655999363384511?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/8426655999363384511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=8426655999363384511' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/8426655999363384511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/8426655999363384511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/05/devaneios-empiricos-sobre-o-futebol-e.html' title='Devaneios empíricos sobre o futebol e suas vertentes supostamente filosóficas (D.E.S.F.S.V.S.F.) – Convocação'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S_MAAmuULqI/AAAAAAAAAf8/CvaZHSFCjHI/s72-c/selecao+82+convoca%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-6766603315427971190</id><published>2010-02-03T15:14:00.004-02:00</published><updated>2010-02-03T15:20:31.665-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Paranoia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S2mwB-wOJMI/AAAAAAAAAf0/9ZXCyrOedJ0/s1600-h/planeta+paranoia+1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S2mwB-wOJMI/AAAAAAAAAf0/9ZXCyrOedJ0/s320/planeta+paranoia+1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434067973470823618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;-Cacete... Tem alguma coisa errada com o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sei lá. Sabe aquela sensação esquisita que você tem quando acorda pela manhã e sente que algo está fora do lugar? Que tudo parece ter mudado da noite para o dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas o que está diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Aí é que está. Não sei. Mas que tem algo errado, isso tem. E esta sensação está me deixando aflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Impressão sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro. Está tudo normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tudo mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim... Ainda vivemos no mesmo mundo materialista, tem uma porção de gente por aí passando fome, a violência se alastra em todo lugar, o ser humano dá cada vez menos valor para si próprio, e a gente finge que nada disso está acontecendo. Tudo normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Jura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro! É só abrir os jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ufa... Que susto. Achei que tinha alguma coisa errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Imagina. Paranoia sua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-6766603315427971190?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/6766603315427971190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=6766603315427971190' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/6766603315427971190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/6766603315427971190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/02/paranoia.html' title='Paranoia'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S2mwB-wOJMI/AAAAAAAAAf0/9ZXCyrOedJ0/s72-c/planeta+paranoia+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-8748096300391976222</id><published>2010-01-15T17:31:00.003-02:00</published><updated>2011-07-19T21:52:14.854-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>O amor em tempos de World Wide Web</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S1DDdhEU6dI/AAAAAAAAAfs/_DnMeV7j6kg/s1600-h/cora%C3%A7%C3%A3o+caracteres2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 254px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S1DDdhEU6dI/AAAAAAAAAfs/_DnMeV7j6kg/s320/cora%C3%A7%C3%A3o+caracteres2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427052462841588178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Conheceram-se num chat. “Lindinha fofa” e “Cara-Legal”. Conversaram despretensiosamente durante alguns minutos. Trivialidades: signo, time do coração, música favorita, o que gostavam de fazer nas horas vagas, provedor de banda larga predileto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluíram que eram perfeitos um para o outro. Se apaixonaram. Começaram a namorar ali mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que o pobre rapaz, cego de paixão, mudou o status no “Orkut” de “solteiro” para “namorando”. Ela ficou ofendida, dizendo que ele era possessivo, e que só tinha lhe pedido em namoro para se exibir para os amigos. Se considerava uma moça discreta, e não gostava destes gestos de ostentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a coisa desandou mesmo quando ela, magoada, “twitou” dizendo “Os homens são todos iguais #ficadica”, o que deixou o rapaz profundamente chateado. Como resposta, ele fez um post maldoso em seu blog afirmando que tinha conhecido uma garota bacana, mas que estava desiludido pois ela aparentemente “se achava a pessoa mais incrível do mundo”, o que segundo ele era contraditório, já que nem no “Beautiful People” ela tinha sido aceita. Esta foi a gota d’água no relacionamento, que acabou ali mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excluíram-se no MSN e juraram nunca mais conversarem. Mesmo assim, vez por outra, ainda visitam em segredo o “Fotolog” um do outro aos suspiros, enquanto atualizam seus “Last.FM” com os mais extravagantes exemplares de músicas românticas que existem por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga ainda que ambos vivem trocando perguntas anônimas no “Formspring”, só para saber como anda a vida um do outro. Mas isso é só boato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-8748096300391976222?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/8748096300391976222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=8748096300391976222' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/8748096300391976222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/8748096300391976222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/01/o-amor-em-tempos-de-world-wide-web.html' title='O amor em tempos de World Wide Web'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S1DDdhEU6dI/AAAAAAAAAfs/_DnMeV7j6kg/s72-c/cora%C3%A7%C3%A3o+caracteres2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-3331502651502111477</id><published>2010-01-15T17:23:00.008-02:00</published><updated>2010-01-16T12:45:47.918-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='D.E.S.F.S.V.S.F.'/><title type='text'>Devaneios empíricos sobre o futebol e suas vertentes supostamente filosóficas (D.E.S.F.S.V.S.F.) – A pré-temporada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S1DBaAFenkI/AAAAAAAAAfk/ibalefshW2Y/s1600-h/Rorschach+futebol+1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 220px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S1DBaAFenkI/AAAAAAAAAfk/ibalefshW2Y/s320/Rorschach+futebol+1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427050203425185346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;“O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bill Shankly&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem acompanha o futebol sabe: o período que vai do fim da última rodada do campeonato nacional até a primeira partida do torneio estadual, tempo que varia entre cinco ou seis semanas, é considerado nebuloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, sem exageros. Milhares de famílias transformam-se em um verdadeiro caos. A falta de partidas oficiais sendo disputadas faz com que uma grande quantidade de brasileiros entrem em estado de depressão futebolística. Pesquisas (empíricas, que fique bem claro) indicam que os consultórios de psicanálise tem um aumento expressivo no número de pacientes nesta época, todos reclamando do mesmo mal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sei lá... Começou como um incômodo esquisito, um aperto no peito. Achei que poderia ser um negócio mais simples, como um principio de enfarte, mas não era. Era um mal sentimental, algo que vinha de dentro e que aos poucos foi aumentando. Uma angústia, uma falta de perspectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Fale-me mais sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu não sei explicar. Desde o começo de dezembro, a comida não tem mais sabor, a conversa no bar com os amigos é monótona... Mal consigo prestar atenção no que minha esposa e meus filhos dizem! Mas é só eu ver uma bola que me animo. Um arrepio me sobe pela a espinha. Pareço um cachorro quando vê um osso. É humilhante. Me ajude, doutor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das formas infalíveis de descobrir a carência futebolística de fim/início de ano é através do Teste de Rorschach. Se o paciente relatar que está enxergando coisas como “gramado”, “caneleira”, “Pelé”, “bandeirinha”, "gândula", "Galvão Bueno", “seleção de 82”, entre outras imagens do gênero, é praticamente certo que ele seja diagnosticado com a “Síndrome da Pré-Temporada”. O tratamento é feito geralmente a partir de vídeo tapes com compactos das principais partidas do último campeonato ou de recortes de jornais e links da Internet com informações recentes sobre especulações de contratações dos grandes clubes do país. Também recomendam-se visitas a campos de peladas na condição de espectador. Participar do jogo não é aconselhado, pois segundo pesquisas, o acúmulo de emoções e da frustração de pré-início de temporada pode gerar ações extremas, como crises de choro e ameaças ao juiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seu imbecil cretino!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Qual é a tua Milton? O jogo já acabou... Pare de me encher!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Admita que estava mal intencionado, canalha! Três pênaltis. Três! Ladrão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas vocês ganharam de 15 x 2! Pra que reclamar?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois podia ter sido 18!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ei... Peraí! Você tá chorando, Milton?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não é justo, não é justo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o Ministério da Saúde já está estudando alternativas para solucionar o problema em parceria com o Ministério dos Esportes. Especula-se que uma das propostas é alongar a duração dos campeonatos para que eles preencham este período de inatividade. Associações de jogadores reclamam que a medida é infundada, e que os atletas perderão seu período de descanso. Mas fontes do Palácio da Alvorada já garantem a idéia tem o aval do presidente que teria dito que “o importante é ver o Corinthians jogar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo visto, a discussão vai longe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-3331502651502111477?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/3331502651502111477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=3331502651502111477' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/3331502651502111477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/3331502651502111477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/01/devaneios-empiricos-sobre-o-futebol-e.html' title='Devaneios empíricos sobre o futebol e suas vertentes supostamente filosóficas (D.E.S.F.S.V.S.F.) – A pré-temporada'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S1DBaAFenkI/AAAAAAAAAfk/ibalefshW2Y/s72-c/Rorschach+futebol+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-583729349695657196</id><published>2010-01-04T13:52:00.002-02:00</published><updated>2010-01-05T13:29:20.224-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>O convidado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S0IPNcHCs7I/AAAAAAAAAfc/hmfAaXgp3B0/s1600-h/o+convidado2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 256px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S0IPNcHCs7I/AAAAAAAAAfc/hmfAaXgp3B0/s320/o+convidado2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422913624865944498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;-Feliz 2010! – Disse o rapaz envolvendo a moça, a dona da festa, num longo e demorado abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Obrigada. Pra você também. – Respondeu ela meio assustada com o avanço repentino do rapaz, que, numa primeira olhada, não reconheceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muito obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Imagina. Ei... Desculpe a indelicadeza, mas... Posso te fazer uma pergunta meio constrangedora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Obviamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quem é você mesmo? Eu sei que é meio chato perguntar, mas é que eu não estou acostumada com tanta gente aqui em casa, e devo ter bebido demais, por isso não estou reconhecendo direito o pessoal... Foi mal! – Disse a moça antes de dar uma gargalhada constrangida sob o olhar aparentemente compreensivo do convidado desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Imagina... Isso é super comum. Eu sou o Mauro. Maurinho para os amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah sim... Mas ainda não estou lembrando direito quem é você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você não me conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah não? Você é amigo de alguém da galera, suponho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Na verdade não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem... Então como... Você... Quer dizer: como é que você veio até aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Para ser sincero eu estava andando pelo prédio, vi a movimentação na porta e resolvi entrar. Espero que não se importe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah... Bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esse canapé está uma delícia. É feito do que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah... O canapé? É...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Desculpe. Só agora me dei conta: seu nome é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Meu nome? Maria! Mas veja...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muito prazer, querida. Está uma delícia, Maria. Divino mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah... Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-De nada. Já comi centenas de canapés, mas este definitivamente é o melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constrangidíssima, a dona da festa parecia estar determinada a pedir para que o rapaz saísse. Ele não estava incomodando ninguém, mas era no mínimo temerário deixar um desconhecido frequentar uma festa que era só para os amigos mais íntimos dos donos da casa. Além do mais, o rapaz já tinha dado conta de três garrafas de champanhe e de dúzias de salgadinhos em poucos minutos. Levando em conta que o estoque da festa não era tão vasto assim, mantê-lo ali poderia significar o fim da comida muito antes do planejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É Mauro, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Maurinho pra você, Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah... Ok. Veja bem Maurinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu sei que isso é bem indelicado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas é que... Bem... Eu nem te conheço direito, entende? Fico meio desconfortável com um convidado que é... Digamos... Penetra! Será que você me entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Perfeitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ótimo, ótimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nesse caso, faço questão de me apresentar solenemente. Eu sou o Mauro, moro ali no Boqueirão. Estou desempregado, mas faço uns bicos por aí, sabe? Só pra descolar uns trocados... Hoje, por exemplo, o síndico me pediu pra verificar a fiação do seu prédio que estava dando defeito. Sou de Áries, tenho 27, gosto de música... O que mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Poxa Mauro... Acho que você não está entendendo direito onde quero chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mauro sorriu satisfeito e lançou uma cara divertida do tipo “isso sempre acontece”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Imagina, Maria. Isso é normal. Somos dois adultos. Crescidos. É natural rolar uma atração mútua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não, não é isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não fuja deste sentimento, Maria. Eu sou um sujeito liberal, maduro. Senti que está rolando um clima entre nós desde que cheguei. E pra ser sincero, te achei bem sexy e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu sou casada! Essa festa foi organizada pelo meu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não tem problema. Eu sou discreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convencida de que não conseguiria se livrar do bicão sem ser mais “específica”, ela resolveu botar a cordialidade de lado e deixar tudo bem claro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Escuta, Mauro: eu não estou a fim de você, ouviu? Eu, na verdade, estou tentando te pedir para se retirar do meu apartamento. Você é um penetra, que entrou sem ser convidado e já comeu sozinho metade do estoque de salgadinhos. Não dá para continuar desse jeito. Tentei maneirar, mas não dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como assim? – Perguntou o Mauro, pensativo enquanto mastigava empolgado três canapés de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Estou te pedindo pra sair. Sair, sabe? Do verbo “dar o fora daqui antes que eu chame a polícia”! Entendeu agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mauro, com uma cara de absoluto espanto, engoliu assustado os canapés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu... Eu... Estou chocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por favor. Estou te pedindo isso é para o seu bem. Antes que meu marido descubra que a festa tem um bicão e que ainda por cima ele está dando em cima de mim, pois nesse caso é provável que você saia daqui pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Maria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não precisa fazer isso. Sei que está assustada com a situação. Ficar atraída assim, por um completo desconhecido, de uma hora para outra é complicado. Mas eu sou compreensivo, e posso até ir falar com seu marido se você quiser... Eu senti que havia algo de especial entre nós, Maria. Vai negar isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irritada, a Maria mandou o bom senso às favas e desabafou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ahhh rapaz... Se liga, vai! Dá o fora daqui de uma vez. – Disse ela, enquanto empurrava o Mauro pelas costas até a porta, que foi fechada com violência logo depois dele ter saído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no corredor, o Mauro lamentou a falta de cordialidade existente no mundo atual. Lembrou dos bons tempos em que era possível ser penetra numa festa de réveillon, comer a vontade e ainda ter uma noitada com alguma das convidadas. A cada ano que passava, ficava cada vez mais evidente aos seus olhos que aquele mundo estava perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de pegar o elevador à procura de outra festa em algum apartamento, ele fez questão de gritar a todo pulmão um desaforo na direção da porta da anfitriã que tinha lhe despachado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ei! Maria! Sabe o Canapé? Eu menti! Aquela porcaria é a pior coisa que eu já comi!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Maurinho é assim: não leva desaforo pra casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-583729349695657196?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/583729349695657196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=583729349695657196' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/583729349695657196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/583729349695657196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2010/01/o-convidado.html' title='O convidado'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/S0IPNcHCs7I/AAAAAAAAAfc/hmfAaXgp3B0/s72-c/o+convidado2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-6189801555194989851</id><published>2009-12-02T16:11:00.003-02:00</published><updated>2011-07-19T21:37:47.653-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>O escritor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SxaueWO2UaI/AAAAAAAAAfU/J7DQRKxdcaU/s1600-h/o+escritor2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SxaueWO2UaI/AAAAAAAAAfU/J7DQRKxdcaU/s320/o+escritor2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410703838719398306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os colegas de trabalho eram taxativos: o Alberto era uma figuraça. Bastava saírem juntos para uma confraternização qualquer, para que ele começasse a monopolizar as atenções falando de suas experiências como escritor. Sim, escritor: ninguém sabia dizer ao certo quando ou como tudo começou, mas de um dia pro outro ele chegou no trabalho anunciando a todos que tinha sido seduzido pela arte das palavras, e que iria se dedicar ao ofício de romancista nas horas vagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que no começo parecia só mais uma das inúmeras invencionices passageiras do Alberto, foi se tornando uma coisa séria. Quase todos os dias ele chegava cedo só para relatar aos colegas, em detalhes, todos os meandros e tramas dos quatro romances diferentes que estava escrevendo simultaneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E então a Frida... Lembra da Frida, aquela personagem secundária que te falei ontem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Desculpe Alberto.Eu estava checando esses relatórios... Nem estava te ouvindo direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu estava falando da Frida, a personagem do meu livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah sim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então... A Frida, repentinamente, vai descobrir que ela é uma androide assassina criada pelo governo da Coréia do Norte, e que tem como objetivo principal eliminar os Sete Ninjas Samurais Secretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Humm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E então, a partir disso, ela passa a se questionar sobre sua natureza não humana... Se ela tem mesmo que seguir sua programação e matar os Sete Ninjas Samurais Secretos ou se ela deve resistir e fugir desta programação. Tá acompanhando meu raciocínio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Desculpe, Alberto. Estava falando comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos ainda apostavam que cedo ou tarde o rapaz desistiria da literatura e arranjaria outro hobbie menos exótico, como videogame ou xadrez. Mas o Alberto estava levando tão a sério a novidade que já estava começando a se vangloriar de suas “habilidades literárias” com desconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muito prazer, sou o Alberto. Bancário e escritor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O choque de todos foi ainda maior quando certo dia ele não apareceu no trabalho pela manhã, e mandou um e-mail à tarde avisando a todos que tinha abandonado o emprego para se dedicar exclusivamente a sua carreira de escritor. Disse que jamais se esqueceria do apoio dos amigos, e que prometia mandar uma cópia autografada do seu primeiro livro para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena força tarefa formada por seus colegas se mobilizou para tentar dissuadir o Alberto da ideia de abandonar o emprego, mas não tiveram sucesso. Tudo o que conseguiram foi ouvir a revelação de que ele estava tão empolgado com os novos projetos, que tinha resolvido gastar todas as suas economias em viagens ao redor do mundo com o objetivo de conhecer culturas de outros países, e com isso, escrever romances baseados nos hábitos e na tradição de cada povo que visitasse. Já tinha até comprado a passagem. Iria começar pelo Iraque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muitos meses sem qualquer tipo de notícia sobre seu paradeiro, um de seus amigos do trabalho encontrou o Alberto na rua, maltrapilho, pedindo moedas aos transeuntes. Surpreso com a situação, levou-o para casa, onde ele lhe explicou que depois de visitar vários países, acabou ficando sem dinheiro e sem ideias, e foi deportado para o Brasil faziam poucos dias. Sem nenhum bem de valor (tudo o que tinha foi vendido para financiar suas viagens) e nem ter para onde ir, resolveu fazer um laboratório para um novo romance, a história de um belo e talentoso escritor que, desmemoriado, viveu alguns anos nas ruas, até conhecer e se casar com uma rica e poderosa condessa australiana que passava pelo país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contar para os ex-colegas da situação do Alberto, todos se mobilizaram para reaver seu emprego, o que foi conseguido depois de algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o Alberto vive uma vida normal e feliz, trabalhando novamente como bancário. E quem achou que os inúmeros romances abandonados pela metade o frustraram, se enganou. o rapaz não largou o hobbie de escritor, e anunciou que está mais confiante do que nunca com seu novo projeto literário, o qual ele jura que finalmente será lançado: um livro de auto ajuda onde o rapaz conta todos os segredos para que pessoas comuns possam vencer na vida e ter sucesso em suas iniciativas mais ousadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem entende do gênero, garante: vai ser sucesso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-6189801555194989851?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/6189801555194989851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=6189801555194989851' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/6189801555194989851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/6189801555194989851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2009/12/o-escritor.html' title='O escritor'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SxaueWO2UaI/AAAAAAAAAfU/J7DQRKxdcaU/s72-c/o+escritor2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-8008838541639989924</id><published>2009-11-17T15:57:00.003-02:00</published><updated>2009-11-17T16:32:06.944-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Pílulas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SwLrxvp30EI/AAAAAAAAAfM/rrrWOf44iMI/s1600/p%C3%ADlula3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SwLrxvp30EI/AAAAAAAAAfM/rrrWOf44iMI/s320/p%C3%ADlula3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405141742636224578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Se conheceram no banquinho de um parque. Idosos, ambos com mais de 80 anos. Como todo clichê que se preze, ele alimentava alguns pombos com migalhas de pão, enquanto ela tricotava um suéter. Faziam isso todos os dias, mas demoraram a se dar conta um do outro. Depois de compartilharem a mesma área do parque por meses sem se notar, cruzaram os olhares por acaso. Simpatia mútua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ele quem tomou a iniciativa da aproximação. Era do tempo em que os homens tinham por obrigação moral tomar a atitude. Sentou-se discretamente num banco próximo ao da senhora simpática que, com um esforço tremendo, tentava notar disfarçadamente sua aproximação com o canto dos olhos. A vista cansada já não permitia uma percepção tão eficiente quanto a da juventude, mas era possível notar que o cavalheiro grisalho tinha se colocado próximo a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio perdurou por alguns minutos. Ele tentava achar um bom pretexto para puxar conversa. Ela, tentava se fazer de distraída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olá! Bom dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não respondeu. Se deu conta de que precisava falar mais alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oi!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Me permite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alimentar os pombos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Gosta de pombos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não muito. Dizem que são aves sujas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Também pensava assim. Mudei de ideia com o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Entendo. Eu, desde menina, aprendi a não mexer com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Força do hábito, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Acho que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio voltou a imperar. Ele achou-a simpática. Tinha uma voz bonita, e era surpreendentemente articulada. Sorria toda vez que terminava uma frase. Ela também tinha simpatizado com o senhor. Não sabia explicar bem o motivo, mas tinha gostado. Tinha um ar elegante, envolvente. Não tinha perdido o charme mesmo com aquela idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, nenhum dos dois sabia bem sobre o que falar. Fazia muito tempo que estavam sozinhos: a vida tinha levando embora seus companheiros cedo demais. Naquela altura da vida, a insegurança era inevitável. Ambos sentiam-se sem assunto, mas acima de tudo, sem a coragem necessária para manterem um diálogo qualquer. Quem diria que depois de décadas sentiriam a mesma timidez dos tempos de adolescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzaram os olhares novamente. Sorriram, e voltaram aos seus afazeres apenas para manter as aparências, já que ainda estavam pensando em uma forma de continuar a conversa. Nenhuma ideia surgia. Concluíram, resignados, que o tempo tinha lhes tirado a habilidade de se relacionar com as pessoas. Que faltava-lhes o tato necessário para se aproximar de alguém, mesmo que de idade semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, no fim das contas, era cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conformado, ele olhou no relógio e tateou os bolsos à procura de alguma coisa. De lá tirou um estojo, que manuseou com cuidado sob o olhar curioso da senhora que tricotava. Ao abri-lo, foi possível enxergar um surpreendente número de pílulas e comprimidos de todos os tipos, cores, e tamanhos, numa visão que lembrava um catálogo de medicamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpresa com o “arsenal” do simpático senhor que estava sentado ao seu lado, a senhora idosa, sem nem ao menos se dar conta, puxou conversa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nossa! Quanta coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu. Sua quase coleção de pílulas era uma espécie de pequeno orgulho hipocondríaco. Boa parte de sua aposentadoria era reservada para manter o estojo atualizado com as últimas novidades da medicina geriátrica. Se surpreendeu com o interesse repentino da senhora, mas não se incomodou. Pelo contrário: aquela era uma oportunidade perfeita para “se exibir”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois é. Aqui tem pílula para todos os gostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Entendo. Tudo isso é seu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim. Tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bacana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É meio mórbido, eu sei. Mas virou um hábito. Quando mais jovem tinha horror a remédios, mas conforme a idade foi chegando eles viraram meus companheiros. Me habituei, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela riu satisfeita. Ele achou aquilo lindo. Faziam décadas que nenhuma mulher ria assim de alguma coisa que ele tinha dito. E não havia deboche em sua gargalhada, podia sentir. Apenas satisfação. Contentamento. Não sabia explicar ao certo. Tinha apenas a certeza de que algo que tinha dito agradou a simpática senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Posso lhe confessar uma coisa? – Perguntou ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você não é o único a ter este hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a surpresa do senhor, de dentro de uma bolsa que trazia, ela retirou uma caixa retrátil que, ao ser aberta, revelou uma variedade de pílulas e comprimidos ainda mais ampla que a que ele guardava em seu estojo. Estava tudo arrumado em pequenos compartimentos separados alfabeticamente.  Organização absolutamente impecável. As cores das pílulas, variadas, tornavam a visão da caixa agradável a qualquer olhar, mas exerceram um fascínio ainda maior no senhor do estojo, que, boquiaberto, mal podia acreditar no que via.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nossa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Gostou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É... Incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que bom que gostou. Essa caixinha aqui, modéstia a parte, é o meu orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E eu que achava que era o único a ter uma variedade dessas. Só de olhar já deu para ver que você me superou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Imagina. Não diga isso. Já vi que você tem muitas coisas interessantes aí no seu estojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É... Tem sim. Mas, se me permite, posso te fazer uma pergunta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pra que serve esta vermelhinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Hipertensão! É novidade. Mal chegou no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Percebi. Não conhecia. Pra hipertensão eu tomo essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Transparente... Nossa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Também é novidade. Dica do meu médico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Já viu essa? Três cores! Azul, amarelo e vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Osteoporose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A minha pra osteoporose é bem simplesinha. Branca, redonda. Parece aspirina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E essa daqui? Roxa, grandona. Você tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tenho sim. Labirintite, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Isso! E pílulas diuréticas, você usa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Algumas. Gosto dessas verdes aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu também. Que coincidência! Tomo duas de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E essas amarelas e cinzas? São do que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bronquite. Mas só tomo quando tenho crises, junto com um xarope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu, quando tive bronquite, tomava estas. Marrons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Conheço. Cheguei a tomar, mas não fizeram o efeito esperado. E me deram alergia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alergia? Conhece esta? Resolve alergia de qualquer tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não, nunca tinha visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu só não me lembro do nome. Sou péssima para decorar essas coisas. Mas se quiser ficar com uma, talvez um farmacêutico saiba lhe dizer o nome certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não se preocupe. Meu médico descobre. Ele é especialista isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E ele te incentiva a ir atrás de todos esses comprimidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não. Ele vive me dando bronca. Diz que apesar de eu precisar tomar um bocado de coisas, eu exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Conheço o tipo. Meu médico também é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas ele é novinho. Tem muito o que aprender ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É verdade. O meu diz que eu sou hipocondríaca e que isso é perigoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Todos dizem isso. Mal saíram da faculdade, e querem palpitar. Mas eles se esquecem que viver, por si só, já é perigoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É verdade. Eles me dão nos nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nervos? Eu tenho um calmante aqui que é tiro e queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Um de capsula preta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esse mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Já conheço. Meu favorito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E pra reumatismo? Toma algum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tomo sim. Esse daqui, ó. Mandei fazer numa farmácia de manipulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E é bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muito! Eu tomava um vermelho e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vermelho e azul?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esse mesmo! Mas depois de um tempo, ele já não fazia o mesmo efeito de antigamente. Acabei recorrendo a uma farmácia de manipulação. Resolveu o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-De farmácia de manipulação eu só tomo um que é para afinar o sangue. Faz maravilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa seguiu animada.Tinham encontrado um assunto em comum, um “hobbie” mútuo que serviu para lhes aproximar. A hipocondria, por mais incrível que pareça, também tinha suas vantagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tá vendo essa rosa, aqui? – Perguntou ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Diabetes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É boa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muito. Mudou minha vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vou atrás dessa. Eu tomo uma amarela, mas não estou satisfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vai ser difícil de encontrar esta. Importada. Tenho uns esquemas para trazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Poxa. Que pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas eu tenho uma caixa extra lá em casa. Gostaria que eu lhe trouxesse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas não vai te fazer falta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Imagina. Já encomendei outras. Sempre deixo uma de reserva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem... Se não for incômodo, eu aceito sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não é incômodo algum, pode apostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Poxa... Obrigada! Amanhã, trarei também minhas outras exclusividades. Se tiver alguma coisa que lhe interessar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seria ótimo. Fiquei interessado em uma porção de coisas que me citou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois amanhã poderá conferir tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que bom, que bom...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram se encarando, felizes, durante algum tempo. Por fim, constataram que já era tarde. Deram-se as mãos, sorridentes, prometendo que se reencontrariam no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram para casa satisfeitos, com a certeza de que, mesmo depois de todos aqueles anos, ainda era possível encontrar boas surpresas pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, quem diria, não era tão cruel assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-8008838541639989924?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/8008838541639989924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=8008838541639989924' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/8008838541639989924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/8008838541639989924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2009/11/pilulas.html' title='Pílulas'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SwLrxvp30EI/AAAAAAAAAfM/rrrWOf44iMI/s72-c/p%C3%ADlula3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-4834242786206336859</id><published>2009-11-10T13:45:00.006-02:00</published><updated>2009-11-10T14:05:26.931-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><title type='text'>Musas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SvmLYxDbQGI/AAAAAAAAAfE/Q36e0VlDFMs/s1600-h/musas+brigitte+bardot2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 214px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SvmLYxDbQGI/AAAAAAAAAfE/Q36e0VlDFMs/s320/musas+brigitte+bardot2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402502485608448098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Colegas reunidos ao redor da ampla mesa do bar. Cervejas geladas aos montes, aperitivos variados nos pratos, e assuntos de todos os tipos sendo debatidos. Típico cenário de mais uma noite boêmia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na roda, o assunto da vez eram mulheres. Belas mulheres. Mulheres de ontem e de hoje, não importava: cada um devia citar sua musa, a mulher por quem perderiam a compostura na mesma hora, por quem largariam a família, por quem deixariam de ver o time de coração numa final de campeonato se ela assim quisesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mulheres bonitas eram as antigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não diga isso... As novas tem seu valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não é bem assim. Hoje em dia não há quem supere uma Brigitte Bardot, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Linda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Disse tudo. Aquilo sim era mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alguém lembra da Sophia Loren? A mais linda que eu já conheci...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que olhos meu Deus, que olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você fala como se fossem só os olhos que chamassem a atenção nela... E o resto do corpo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tem razão. Que corpo! Eram tempos escassos para os olhos. Os vestidos eram largos. Era difícil enxergar qualquer coisa além de pano. Mas ela tinha curvas tão generosas que dava pra ver todos os seus atributos... Em detalhes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E a boca, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Divina! Não há mais mulheres hoje em dia com uma boca como aquela... Deus teve ter esgotado o estoque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Discordo! E a Angelina Jolie? Não existe mais boca do que aquilo. O dia que venderem bocas por aí, a dela vai estar na capa do catálogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É verdade. Jolie é Jolie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sei lá. Falta charme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E quem precisa de charme quando se tem um corpo daqueles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Aquilo é a luxúria em pessoa. Uma blasfêmia ambulante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não sei explicar. Falta harmonia. Aliás, não só nela, mas em todas as mulheres de hoje em dia. Veja essas novas musas dos adolescentes... Como a... Sei lá... Megan Fox!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mulherão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois então: aquilo é só peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Peito, bunda e vulgaridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vulgaridade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim. Repare: não tem uma cena de um filme em que ela apareça sem se insinuar. Mulher pra ser atraente não precisa disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Precisar não precisa. Mas que ajuda, isso ajuda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu nunca precisei ver o útero da Brigitte Bardot pra achar ela linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois é. Vendo assim, acho que você até tem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas vamos seguir em frente: quero outros exemplos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Julianne Moore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Lindíssima. Adoro ruivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já eu, sou fascinado pela Audrey Tatou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tá de brincadeira, né? O que ela tem de especial? É uma mulher como outra qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sei lá... Gosto das francesas. Ela tem algo que me atrai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu acho feia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deixa ele. Gosto não se discute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Francesa por francesa, fico com a Carla Bruni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Meu Deus... Aí sim! Ela é sensacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Concordo. Além do mais, gosta de homens feios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Feios e poderosos. Não é a toa que está com o presidente da França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-São todas assim. Suscetíveis ao poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Digam o que disserem, acho que ainda não inventaram nada melhor que a Paz Vega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É verdade. Tinha me esquecido da Paz Vega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Me desculpe, mas mulher como aquela não se esquece. Tem sangue espanhol... Sangue quente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Isso não quer dizer nada. E a Yelena Isinbayeva? É russa, mas ainda está pra nascer mulher mais quente do que aquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem lembrado: além de linda, é atleta. Já viu o abdômen dela? Uma perdição. Nunca achei salto com vara tão divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É bela, mas forte demais. Cadê a delicadeza feminina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E a Maria Sharapova, a tenista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Viva a Rússia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois é: mas país por país, sou mais o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É... As brasileiras são as melhores, indiscutivelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Concordo. Taí a Gisele Bundchen para provar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A Gisele é clichê. E na minha opinião não chega aos pés de uma Alessandra Ambrósio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É verdade. Se um dia ela me encontra na rua e me manda um sorriso, eu me aposentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se o assunto são modelos, eu ainda prefiro a Adriana Lima. Quase perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É justo, é justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E a Alice Braga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Divina. Beleza simples, mas marcante. É a simpatia em pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois é. Mas brasileira boa mesmo é Juliana Paes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ô se é. Muitos caminhões de areia já arriaram por ela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Preferência nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Falta charme nela, sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você e o charme. Nunca vi ninguém tão fixado nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas é algo importante. Eu acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah é? E quem é sua musa, afinal de contas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A mamãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio que seguiu a afirmação do Gonzaga foi tomado como absoluta precaução. Ninguém sabia se o rapaz, notório por seus gostos peculiares, falava sério ou tinha feito uma anedota com a situação. Sendo assim, por via das dúvidas, todos seguraram pacientemente a gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A mamãe sim. Bonita. Charmosa. Beleza na medida certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo constatando que o Gonzaga falava sério, o pessoal até pensou em gargalhar com a situação. No entanto, de súbito, todos tiraram quase simultaneamente a mesma conclusão: no fundo, ele até tinha razão. Afinal de contas, mãe é mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamaram o garçom, pediram outra rodada, e mudaram de assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-4834242786206336859?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/4834242786206336859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=4834242786206336859' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/4834242786206336859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/4834242786206336859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2009/11/musas.html' title='Musas'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SvmLYxDbQGI/AAAAAAAAAfE/Q36e0VlDFMs/s72-c/musas+brigitte+bardot2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-713138095392757653</id><published>2009-11-03T19:42:00.012-02:00</published><updated>2011-09-08T16:21:04.996-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desventuras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Incursões Cartunísticas'/><title type='text'>Gordas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SvCkVcQolPI/AAAAAAAAAes/dgKuFzUNjqE/s1600-h/gordas+fita+m%C3%A9trica2.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399996641487394034" src="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SvCkVcQolPI/AAAAAAAAAes/dgKuFzUNjqE/s320/gordas+fita+m%C3%A9trica2.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 214px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;-Gorda, gorda, gorda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Exagero, pois não é com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Foi inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Foi a realidade. São fatos, querida... Fatos! Tá vendo isso daqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O que é que tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Banha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que nada, menina. Isso todo mundo tem. E para de apertar seu abdômen que ele vai ficar roxo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que fique. Vai ser castigo. Penitência por ter me descuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Larga isso, pelo amor de Deus! Você vai ficar com marca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você está ótima. Linda de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mentira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não é não. Sério! Garanto que qualquer homem por aí baba por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Poupe seu tempo, amiga. Você não vai me convencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você não acredita em mim, é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Acredito... Menos quando o assunto é esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quer dizer que na minha palavra você não acredita, não é? Mas na palavra daquela mulher, quase desconhecida, que estudou com você há vários anos, você dá crédito. Quanta consideração comigo, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas veja os fatos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que fatos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ela veio lá do outro lado do salão... De um salão enorme, cheio de gente dançando... Exclusivamente pra me dizer: “Nossa! Você cresceu, ou é impressão minha?”. Entende? Olha o nível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas ela disse que você cresceu, não que você engordou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você não viu os olhos dela. Cinismo. Ironia. Deboche. Além do mais, toda mulher gosta de cutucar a outra indiretamente. Era sarcasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pelo amor de Deus! Você mesma me disse que faziam uns 15 anos que ela não te via. Eram crianças da última vez que vocês tinham se visto. É óbvio que ela estava mesmo se referindo ao seu tamanho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não. Aquele cinismo não me engana. Ela me chamou de gorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Isso é só coisa da sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu não sou paranoica, tá? Eu sei o que eu vi... E o que eu ouvi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você não é gorda. Não diga isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Digo sim. É a realidade. Ainda estou longe de ser magra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você vai acabar passando mal. Não tem nem se alimentado direito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-As folhas de alface que eu como me oferecem tudo o que eu preciso por hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas você não sai da academia! Faz três semanas que tem malhado sem parar. Precisa de proteínas, fibras, carboidratos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Para, vai... Ganhei dois quilos só de ouvir isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Além do mais, você fica tomando esta porcaria de emagrecedor que você nem sabe qual é a procedência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tava anunciando na TV de madrugada. É coisa séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esse negócio fede. É nojento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas faz maravilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deve custar uma fortuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, mas vale o investimento. Mês que vem eu compro outra caixa. Eles parcelam em 12 vezes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Menina... Você está fazendo mal para si mesma! Teu corpo não tem mais o que perder de gordura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tem sim. E isso é só o começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olha... Quer saber? Se você se acha gorda, é sinal que eu também sou gorda. Nós temos o mesmo peso, esqueceu? Estou mentindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então. Meu médico sempre diz que eu estou em plena forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E você acreditou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que você está em forma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Hehehe... Então tá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Peraí, peraí! Que risadinha foi essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Risadinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu escutei você dando uma risadinha. Não finja que não me entendeu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ai amiga... É que assim: eu odeio ter que te dizer isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Humm...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas é que, sei lá, tô te achando meio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Meio...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Cheinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Aff!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sério. Me aperta o coração falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Meu médico falou que meu índice de gordura corporal está perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Médicos não entendem disso. Tem coisas que só o olhar clínico de uma mulher é capaz de enxergar. E o meu olhar diz que você precisa perder uns quilinhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não é muito, não. Só uns 10, 12 kg...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Meu namorado diz que eu sou linda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Isso até ele te trocar por uma moça magérrima e alegar que você era insuportavelmente gorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Será?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vai por mim, amiga. Se estou falando isso é para o seu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Poxa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Venha almoçar comigo, que isso já passa. Temos muito o que conversar. A gente pode dividir o almoço, que tal? Estou achando que tenho exagerado na alface... Na minha atual fase, isso é um perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ei... Escuta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você tem aí o telefone daqueles caras que vendem o emagrecedor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://zeluiz.stripgenerator.com/2009/10/26/gordas/"&gt;&lt;img alt="Gordas" src="http://static.stripgenerator.com/generated/zeluiz25/strip/2009/10/26/gordas_embed.png" style="border: medium none;" title="Gordas" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SvCkkDZENxI/AAAAAAAAAe0/jbsToyw0hqQ/s1600-h/gordas.png"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-713138095392757653?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/713138095392757653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=713138095392757653' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/713138095392757653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/713138095392757653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2009/11/gordas.html' title='Gordas'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/SvCkVcQolPI/AAAAAAAAAes/dgKuFzUNjqE/s72-c/gordas+fita+m%C3%A9trica2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-5199804746819959264</id><published>2009-10-27T14:32:00.000-02:00</published><updated>2009-10-27T14:43:57.078-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zeluizíces'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Editorial'/><title type='text'>Capítulo 1</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/St4Sgm2gcjI/AAAAAAAAAds/vzO__8UZxDE/s1600-h/capitulo+1+blog+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/St4Sgm2gcjI/AAAAAAAAAds/vzO__8UZxDE/s320/capitulo+1+blog+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394769755030712882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Certos hábitos nunca mudam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, não importa o quanto eu tenha crescido, o quanto eu me sinta maduro, ou quantos livros do Shakespeare eu tenha lido, sempre que tiver uma oportunidade, eu irei perder uma manhã inteira na frente da TV assistindo a algum desenho animado que passa em uma emissora de TV qualquer. Não importa que eu já tenha assistido o tal desenho uma dúzia de vezes, muito menos os apelos desesperados de minha consciência que grita algo como “Pelo amor de Deus, Zé! Olha o teu tamanho, cara! Você não tem mais idade pra essas coisas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que eu gosto disso. Por mais banal e inútil que seja este hábito, ele gera um prazer característico que eu não consigo resistir. Uma endorfina natural, suponho, que faz com que deixe de lado outras dúzias de coisas mais produtivas. Quase um vício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo sentimento eu sinto ao escrever. Desde minha infância eu costumava flertar com minhas idéias em folhas de cadernos já usados, escrevendo textos que refletiam meu estado de espírito. Sim, eu era um menino esquisito. Fazia questão de bolar histórias e botá-las no papel, com único intuito de ler posteriormente, e rir das próprias tiradas. Algo que mais tarde eu descobri ser chamado de narcisismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que escrever me dava a possibilidade de exercitar uma habilidade que não tinha: a de falar bem. Sempre fui um orador desprezível, incapaz de dizer uma frase de impacto sem algumas horas de ensaio, mesmo que ela já estivesse pronta em minha cabeça. Botar as idéias no papel passou a ser minha desforra: uma vingança particular contra a incapacidade que tinha de ser um “Ás” nas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por anos, esta vertente escritora ficou restrita as gavetas de minha estante, ou as caixas de cadernos velhos guardadas em algum canto empoeirado da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto só mudou numa manhã de janeiro de 2007: durante uma folga do trabalho, e num momento de tédio, resolvi criar um blog na Internet onde poderia exercitar publicamente minhas vertentes de escritor. Nascia aí o “Eu Não Sei Fazer Poesia”, site pessoal que passou a abrigar os textos que, até então, eram dedicados às traças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é... Criar um blog, é quase como tentar aparecer numa câmera de TV por trás de um repórter durante uma matéria. Por mais que não quisesse admitir, era óbvio que, no fundo, eu desejava que mais pessoas pudessem ler o que eu costumava escrever. Queria aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um início confuso, onde não sabia bem o que, e nem como escrever, fui criando uma pequena identidade no espaço. Sendo assim, o site pessoal que abrigaria postagens variadas sobre assuntos que agradavam o autor, passou a ser dedicado quase que exclusivamente aos meus devaneios literários: crônicas, geralmente com tom mais humorístico, em que tratava de assuntos do cotidiano. O tema que, no fundo, sempre foi minha principal motivação para criar o blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante cerca de um ano e seis meses, o “Eu Não Sei Fazer Poesia” abrigou postagens “regulares” (cof, cof...) com crônicas criadas pelo rapaz que até então preferia guardar seus textos numa gaveta. As tais postagens com “variedades” quase nunca existiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hobbie de escrever foi ganhando importância, de forma que me via cada vez mais distraído enquanto pensava em alguma situação que pudesse render uma “boa” história. Já tinha virado um hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o mundo vai dando voltas que nem sempre somos capazes de acompanhar:  fui perdendo o fôlego para manter o blog atualizado. Meu tempo livre foi diminuindo na mesma proporção em que minhas responsabilidades no trabalho, na faculdade e no cotidiano aumentavam. Somado a isso, por um problema técnico, minha senha para entrar no blog ficou travada, o que, misteriosamente, só foi se resolver meses depois de minha última postagem. A situação chegou a tal ponto que não tive mais de onde tirar motivação para continuar: mesmo sem um anúncio oficial, ou um enterro digno, o “Eu Não Sei Fazer Poesia” tinha morrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como disse anteriormente, certos hábitos não morrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, pouco mais de um ano depois de minha última postagem no falecido site, decidi dar início a um novo projeto: o “Pois Zé”, blog pessoal que seguirá a mesma linha do seu antecessor, abrigando textos de minha autoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As diferenças? Praticamente nenhuma. O foco é o mesmo: as crônicas supostamente bem humoradas e uma ou outra colocação mais pessoal. Talvez a grande mudança é que tentarei exercitar outros gêneros além do humor em meus textos. Mas uma coisa não muda: o mal gosto e as tiradas sem graça serão as mesmas de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E antes que alguém me avise, eu sei: os blogs estão fora de moda. A onda agora é o Twitter, o famoso microblog que virou coqueluche entre os internautas do planeta. É mais ou menos a mesma febre vivida pelo Orkut no Brasil lá por 2004 e 2005. Mas, como todo bom rapaz fora de moda, eu resisto bravamente à tentação de me embrenhar nesse mundo. Da mesma forma que “eu não sei fazer poesia”, eu também não sei escrever em menos de 140 caracteres. Quem sabe eu até me converta a esta onda, e vire mais um fã desse treco no futuro. Até lá, prefiro continuar resistindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo desde já, aos amigos e visitantes que por ventura passarem por aqui, o meu sincero muito obrigado. É em função do carinho de vocês que eu continuo em minha sina de maltratar o bom gosto literário... Com mais de 140 caracteres, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam todos bem vindos e, na medida do possível, divirtam-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-5199804746819959264?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/5199804746819959264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=5199804746819959264' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/5199804746819959264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/5199804746819959264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2009/10/capitulo-1.html' title='Capítulo 1'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/St4Sgm2gcjI/AAAAAAAAAds/vzO__8UZxDE/s72-c/capitulo+1+blog+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-3175201060315862613</id><published>2009-10-27T14:31:00.002-02:00</published><updated>2011-07-01T00:43:09.404-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Editorial'/><title type='text'>Quem é este cara? (O Autor)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/St4VjB4QLhI/AAAAAAAAAd0/2rZ84kVl8EE/s1600-h/quem+%C3%A9+este+cara+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 251px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/St4VjB4QLhI/AAAAAAAAAd0/2rZ84kVl8EE/s320/quem+%C3%A9+este+cara+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394773095180414482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nascido numa noite quente de quarta-feira na segunda metade dos anos 80, José Luiz Sykacz, popularmente conhecido como Zé, é mais uma das provas de que a década em questão foi absolutamente nociva para o futuro da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criado numa cidade da Região Metropolitana de Curitiba, o garoto mostrava desde cedo sua vocação para o jornalismo e para criação de histórias ao rabiscar com canetinhas multicolor personagens fictícios em páginas de jornais. Aprendeu a ler em casa junto com a avó paterna e logo virou fã de carteirinha de grandes personagens da literatura nacional, como Mônica, Cascão e Cebolinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nerd não convicto, era alvo de gozações na escola por possuir uma cabeça avantajada, e por passar por situações constrangedoras com uma frequência assustadoramente grande. Com o tempo, passou a incorporar o título de palhaço da turma, título que ele carregou orgulhosamente até o fim do ensino médio. É do tipo que perde o amigo, a namorada e o ônibus, mas não perde a piada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apaixonado por leitura, é fã incondicional de autores como Luiz Fernando Veríssimo (sua “musa” inspiradora), Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues, Gay Talese e Joseph Mitchel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adora escrever, mesmo admitindo que não é grande coisa. Gosta de criar contos de humor, e críticas moralistas sobres assuntos que não tem pleno domínio. Tem paixão por frases de efeito, e acha que a vida é o clichê de Deus. Não é gago, mas é tímido o bastante para ter enormes dificuldades de se comunicar verbalmente. É adepto do ditado que diz que as vezes é melhor ficar quieto e deixar que todos pensem que você é um idiota, do que abrir a boca e não deixar dúvida nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosta de desenhos animados, apesar de não ter mais idade para isso, e costuma torrar várias horas produtivas do dia à frente de um videogame. É pisciano, apesar de não entender chongas sobre este tipo de coisa. Já viu discos voadores, não acredita em duendes, e nunca usou drogas, muito embora já tenha assistido a programas de TV no domingo à tarde, o que na prática é quase a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amante do cinema, é fã de obras lendárias da sétima arte como “Corra que a Polícia Vem Aí” e “Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu”. Gosta de diretores como Stanley Kubrick, Michel Gondry e Jorge Furtado. Sim,  ele é bem eclético. Tem o hábito de frequentar cinemas sozinho, e jura que ainda vai tirar aos tapas alguma criança ou adolescente baderneiro de dentro da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosta de vários estilos musicais, apesar de quase nunca se aprofundar muito em nenhum deles. No rock, é fã de bandas antigas como Ramones e recentes como Strokes. É tarado por Johnny Cash. Nunca tocou nenhum instrumento na vida, mas ainda pretende ser baterista.  Acha que a música está em decadência, e que depois dos anos 90 quase nada se salva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem pavor de sangue, odeia cebola, não vive sem café, e costuma mudar entre assuntos que não tem a menor relação entre si de uma hora para outra. Heterossexual assumido, está à procura de uma mulher inteligente, bonita, sarcástica e bem humorada, embora tenha convicção que ganhar na loteria é mais fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adora esportes, mas é um completo desastre na prática de quase qualquer um deles. Ainda quer trabalhar com isso. Apaixonado por futebol , é goleiro nas horas vagas, e como outros milhões de brasileiros, acha que seria um bom nome a ser considerado para o cargo de técnico da seleção. Ama frequentar estádios, e já se dirigiu a inúmeros árbitros usando boa parte dos insultos existentes na língua portuguesa, embora não se orgulhe disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formado em jornalismo, é do tempo em que ainda era preciso estudar para se praticar a profissão. Tem paixão por seu ofício, mas finalmente entendeu depois de formado os motivos de sua mãe lhe pedir para cursar medicina ou direito. Não liga muito para dinheiro, mas vive reclamando que o dinheiro também não da muita bola para sua carteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, criou um blog pessoal chamado “Eu Não Sei Fazer Poesia”, que foi encerrado um ano e meio depois por falta de atualizações. Em 2009, criou o Pois Zé, novo blog pessoal que ele promete atualizar com alguma frequência, mesmo sem especificar se tal periodicidade será semanal, mensal, ou anual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apreciador incorrigível de ironias, tem quase a absoluta certeza de que irá se arrepender amargamente de ter escrito tal perfil daqui a alguns meses. Portanto, se você estiver lendo este texto do ano de 2010 em diante, é sinal de que este blog está abandonado, e o autor não se recorda mais das abobrinhas que escreveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja mais:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-weight: bold;" href="http://pois-ze.blogspot.com/2009/10/o-blog.html"&gt;» O blog&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-weight: bold;" href="mailto:jose_luiz4730@msn.com"&gt;» E-mail para contato&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=16505598342666529741&amp;amp;rl=t"&gt;» Orkut do blogueiro&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-3175201060315862613?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/3175201060315862613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=3175201060315862613' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/3175201060315862613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/3175201060315862613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2009/10/quem-e-este-cara-o-autor.html' title='Quem é este cara? (O Autor)'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/St4VjB4QLhI/AAAAAAAAAd0/2rZ84kVl8EE/s72-c/quem+%C3%A9+este+cara+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2131375375275764738.post-4087627318465562190</id><published>2009-10-27T14:30:00.000-02:00</published><updated>2009-10-27T14:41:38.662-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Editorial'/><title type='text'>O Blog</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/St4YALXP17I/AAAAAAAAAd8/m_TWnrlKtlQ/s1600-h/o+blog+-+m%C3%A1quina+de+escrever+3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 254px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/St4YALXP17I/AAAAAAAAAd8/m_TWnrlKtlQ/s320/o+blog+-+m%C3%A1quina+de+escrever+3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394775794965796786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pois Zé&lt;/span&gt; é um blog pessoal escrito pelo desconhecido &lt;a href="http://pois-ze.blogspot.com/2009/10/quem-e-este-cara-o-autor.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Zé Luiz Sykacz&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, paranaense formado em jornalismo, que gosta de criar textos literários de gosto duvidoso e se exibir para os amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a segunda empreitada do autor no universo dos blogs pessoais que quase ninguém lê. Em 2007, ele criou o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Eu Não Sei Fazer Poesia&lt;/span&gt;, espaço onde publicava suas criações em intervalos de tempo não definidos à espera de que um amigo amável fizesse um comentário elogioso. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atarefado, acabou abandonando o espaço não oficialmente no segundo semestre de 2008, prometendo que voltaria algum dia. A profecia se cumpriu em outubro de 2009 quando o rapaz pôs no ar o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pois Zé&lt;/span&gt;, blog que segue a mesma proposta do seu antecessor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de crônicas novas e antigas (reescritas, se necessário), o Pois Zé trará eventualmente postagens sobre assuntos variados que por ventura chamarem a atenção do autor, além de possíveis colaborações de amigos e colegas. Isso, até ele enjoar da brincadeira e abandonar o espaço, o que pode acontecer a qualquer momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale lembrar que o autor é adepto do uso de dose cavalares de sarcasmo em alguns destes textos, sendo assim, se por ventura sentir-se ofendido(a) com algumas de suas colocações, ignore. No fundo o pobre infeliz estava só tentando fazer piada de alguma coisa, mas sem nenhuma maldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam muito bem vindos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dúvidas, críticas ou sugestões?: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-weight: bold;" href="http://pois-ze.blogspot.com/2009/10/quem-e-este-cara-o-autor.html"&gt;» Quem é este cara?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-weight: bold;" href="mailto:jose_luiz4730@msn.com"&gt;» E-mail para contato&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=16505598342666529741&amp;amp;rl=t"&gt;» Orkut do blogueiro&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2131375375275764738-4087627318465562190?l=pois-ze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pois-ze.blogspot.com/feeds/4087627318465562190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2131375375275764738&amp;postID=4087627318465562190' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/4087627318465562190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2131375375275764738/posts/default/4087627318465562190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pois-ze.blogspot.com/2009/10/o-blog.html' title='O Blog'/><author><name>Zé Luiz Sykacz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01039496882686984070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-MKUp2hFCbqo/TqlN6MktaxI/AAAAAAAAAm0/DORJuffm36w/s220/ze%2Bcara%2Bblog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Wv-iB-3LqHw/St4YALXP17I/AAAAAAAAAd8/m_TWnrlKtlQ/s72-c/o+blog+-+m%C3%A1quina+de+escrever+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
